E a tal da polêmica com o Salmão?

Fui questionada essa semana sobre um tal texto, escrito em 2011, em um blog sobre generalidades, que questionava a qualidade e a idoneidade do salmão consumido por nós, brasileiros.
Bom, a minha opinião sobre isto eu dei no Facebook para quem me perguntou, e a Marina do “Não Conto Calorias” explicou de maneira interessante aqui: http://www.naocontocalorias.com.br/2013/06/vai-parar-de-comer-salmao.html
Mas eu gostaria de ir um pouco mais fundo nesta discussão sobre alimentação, aditivos, Chile, cativeiros, histerias e afins.
Primeiro eu fui procurar a fonte que a autora do blog que iniciou esta discussão (que reforço, foi escrita em 2011) utilizou para poder falar com tanta convicção do salmão. Eu juro, a convicção era tanta que eu realmente fiquei com medo. Mas achei lá duas notícias. A primeira é uma publicação do Instituto de Pesca de SP em 2005 (sim, 2005, quase oito anos atrás) mostrando uma entrevista com um pesquisador do Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio do Pescado Marinho sobre o salmão. 
Bom, o que mais me chamou a atenção foi o título: “O Caso do Salmão Contaminado: importante é não generalizar”. Eu poderia parar por aqui, porque o título diz tudo: não generalizar. Mas OK, vamos adiante. A primeira frase do pesquisador sobre contaminações foi que qualquer carne, não só o salmão, mas qualquer carne pode sofrer algum tipo de contaminação. O que nos protege desta situação? Escolha de fornecedor adequado e seguro e um eficiente serviço de vigilância sanitária, que vai vistoriar a produção e distribuição destes alimentos. Gostei ainda mais do que ele disse na segunda pergunta: Deixar de consumir frutos do mar em geral, e sob todas as formas de preparo, por existir um perigo potencial relacionado apenas a certa espécie de pescado e sob condições particulares de preparo, demonstra um receio sem propósito e sério caso de desinformação”. É isto. Temos que tomar cuidado com informações que vinculamos por ai, porque hoje, com o auxílio da internet, é fácil criar situações de histeria geral quando o que precisamos mesmo é só de um pouco mais de cuidado.


Mas terminei de ler a reportagem de 2005, que não falava de aditivos, mas sim de carne de Salmão provavelmente (sim, provavelmente) contaminada com Cestoda Diphibothrium (a tal da tênia do peixe), que causavam difiobotríase (vômitos, dores abdominais, diarréia e anemia megaloblástica – só reforçando que esta doença só ocorre com o consumo de peixes mal cozidos ou crus). O problema realmente foi de carne de salmão contaminadas do Chile mas, pelo o que entendi, o problema era fácil de resolver, visto que a importação destas carnes deveriam ser feitas congeladas (e não resfriadas, como aconteciam). Eu realmente me lembro de uma certa epidemia de vômitos e diarréia após ingestão de comida japonesa em meados de 2005-2006, mas certamente não tenho ouvido falar mais nada por agora. E olha, o consumo de peixes crus e salmão (ou mais provavelmente truta salmonada) só aumentou desde lá. Não estou falando que tudo se resolveu e que nada mais disso acontece, mas só acho que de 2005 até agora muita água pode ter rolado, e para falarmos disso é bom procurar um especialista na área, que esteja ATUALIZADO sobre o assunto. Coisa que sei que não sou. Sou só uma nutricionista.


E até aqui, nada de aditivos.
A segunda fonte utilizada foi uma publicação da Folha de São Paulo de 2004 (sim, nove anos atrás) sobre um estudo da State University de Nova York que falava do aumento de substâncias cancerígenas no salmão criado em cativeiro do que no salmão selvagem. O motivo seria a alimentação gordurosa do salmão de cativeiro, com excesso de azeite e farinha, armazenando substâncias tóxicas no tecido adiposo do animal, enquanto o salmão selvagem consome pequenos peixes e krill. Eu não quero parar aqui para dizer o quanto é óbvio que a alimentação do salmão selvagem é melhor e mais natural do que a alimentação do salmão de cativeiro, mas acho que é necessário né? Tudo que é natural é melhor. Mas falando do cativeiro reforço o que a Marina publicou no “Não Conto Calorias”: infelizmente tudo o que comemos hoje em dia é fruto de cativeiro. Como fugir disto? Os vegetais e frutas já tem selo de produto orgânico (que sim são mais caros) mas que já garantem a isenção de aditivos no alimento que você compra. Não me lembro de ter visto isto em peixes ainda, mas talvez seria interessante começar a colocar. 
Outro ponto que eu gostaria de reforçar é que não se sabe ainda qual é o real efeito de atitivos (e agrotóxicos, e corantes, e realçadores de sabor e outras coisas industrializadas que colocamos na comida) na saúde do humano. Temos estudos, muitos estudos, sobre os vários prováveis efeitos da “industrialização” da nossa comida, mas quase nenhum 100% conclusivo. Eu sei que nada na biologia vai ser 100% conclusivo, e que temos que viver de fatos, e também, de bom senso. Se você pode consumir um produto natural (e quando digo pode quero dizer se você tem condição financeira para isto, ou se ele está facilmente alcançável para você) sempre opte por ele. Sempre. Mas se você nem sempre pode (como eu e 99% das pessoas) nós temos que aprender a escolher o que é melhor. Felizmente a ANVISA trabalha muito bem com a fiscalização de produtos industrializados, e podemos acreditar que o que está no rótulo dos produtos, geralmente, é o que ele tem. Então comece estudando bem seus rótulos. Depois, é sempre bom conhecer seus fornecedores (escolher marcas de confiança, sem histórico de problemas) e seus restaurantes. Um bom restaurante (ou supermercado, ou marca) não vai colocar a cara deles fácilmente a tapa só para comprar um produto barato. Na dúvida, pergunte. Eles SEMPRE tem que permitir que vocês visitem a cozinha deles.
Voltando aos aditivos e salmões (afinal é por isso que estamos aqui), eu dei uma pesquisada nos artigos sobre o assunto e não tive dificuldade para encontrar alguns estudos, mas sem resultados conclusivos. Não achei publicações em revistas de renome na área da saúde. Muitos inclusive nem questionavam o fator tóxico dos aditivos, mas sim o efeito dele na coloração do salmão e no tamanho do peixe. Encontrei um mais interessante ainda que falava sobre os aditivos não só no salmão, mas em VÁRIOS alimentos (clique aqui se quiser ler) e seus prováveis sintomas quando em excesso. O que eu quero dizer com isto é que, com o crescimento insano da população e seu consumo, é natural que, cada vez mais, estejamos rodeados por alimentos industrializados e seus aditivos. Isto é ruim? Sim, como eu disse, o natural é sempre melhor, mas sem eles também a nossa comida não duraria nem dois dias na geladeira. Não estou dizendo que é bom, mas gosto de reforçar que tudo tem dois lados. E sem estocar você teria que ter sua própria horta, sua própria criação de gado, sua própria plantação de milho. Podemos melhorar os efeitos destes aditivos? Sim, e tenho certeza que temos pesquisadores para isto. O melhor a fazer agora? Mais carinho com sua alimentação. Não se prive dos alimentos só por ouvir alguma notícia. Procure saber, informe-se com segurança, escolha bem seus produtos. E se precisar peça SEMPRE a ajuda de um profissional da área.
E mais uma dica? Se queremos discutir um assunto polêmico como a contaminação de um alimento, é sempre mais seguro utilizar fontes atuais e, sempre que possível, científicas. No máximo de dois anos atrás, porque senão podemos correr o risco de divulgar informação desatualizada. Nada de publicações de jornais ou revistas, porque podem estar distorcidas. Se as informações repassadas pelo blog, que reiniciou toda a polêmica sobre o salmão, estão desatualizadas (ou distorcidas) ou não eu não sei, mas eu tentei achar algo mais atual sobre o assunto e não tive muito sucesso.
Eu vou continuar comendo salmão (ou, provavelmente, truta salmonada), mas sempre nos mesmos fornecedores, e acompanhando as publicações por ai. Se eu apresentar algum sintoma relacionado a difiobotríase vou ao fornecedor e, se necessário, vou denunciá-lo. E qualquer novidade a gente informa vocês.
*Eu só gostaria de reforçar de uma vez, para os críticos de plantão, que esta publicação é uma opinião dos autores do blog. Nenhuma informação aqui é verdade absoluta, e estamos abertos para uma discussão saudável e enriquecedora do assunto. A intenção aqui é tentar refletir sobre estes assuntos de interesse geral.



Anúncios

Uma resposta em “E a tal da polêmica com o Salmão?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s