Nosso Primeiro Post : Batata Frita Pode?

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No dia 26/09/2008 entrávamos na rede. Como não poderia deixar de ser o nosso primeiro post respondia à pergunta do título:

“Batata Frita Pode?

Respondendo a pergunta do blog: batata-frita pode, tudo pode, desde que seja ingerido de maneira moderada, e nunca em excesso. Um dos segredos da boa alimentação é também a moderação. “

Pode ? :Uma viagem, maçãs cruas e diarreia

Em uma viagem recente, poucas horas antes de pegar o avião de retorno para casa, minha acompanhante desenvolveu um quadro de diarreia aguda, acompanhada por vômitos e intenso mal estar. Precisávamos de uma solução urgente e eficaz para que a viagem não se tornasse insuportável. Foi então que me lembrei de ter visto, no restaurante do hotel, várias bandejas com grandes quantidades de maçãs verdes. Imediatamente me lembrei de uma antiga prática – A Cura de Maçãs Cruas – que aprendi em um livro antigo do Dr. A. da Silva Mello, médico e escritor mineiro – que relatava o tratamento em seu notável livro Alimentação – Instinto – Cultura (1956):

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“…a cura de maçãs cruas,…no tratamento das diarreias e cujos efeitos curativos, já por demais conhecidos, são por vezes verdadeiramente espantosos. Diarreias rebeldes, prolongando-se por dias, semanas, meses e até anos, depois de terem resistido aos mais intensos tratamentos e às mais rigorosas dietas, podem cessar rapidamente, em geral dentro de 24-48 horas, pelo emprego desta cura, que consiste simplesmente de maçãs raladas, comidas em abundância, durante dois a três dias seguidos, proibindo-se durante este tempo qualquer outro tipo de alimento. De regra o efeito é imediato, pois que, já nas primeiras 24 horas, a evacuação torna-se quase normal, perdendo o cheiro fecaloide…

…O tratamento com maçãs cruas é uma prática antiga, relatada desde Hipócrates. Há relatos antigos como o de Johann Diez, nascido em 1565, que declara haver salvo a própria vida comendo maçãs cruas, enquanto muitos de seus companheiros morreram da diarreia que os atacara a bordo, durante uma longa viagem de navio… Há ainda o relato de curas com outras frutas como bananas, ameixas cruas, caldo de mirtilo ou de groselha”

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Evidencias sugerem que uma dieta rica em frutas e vegetais pode diminuir o risco de doenças crônicas, como doenças cardiovasculares e câncer, devido provavelmente à presença de fitoquímicos,  incluindo fenois, flavonoides e carotenoides, além de abundante quantidade de fibras alimentares.

As maçãs são uma rica fonte de fitoquímicos e estudos epidemiológicos tem ligado o seu consumo à redução de alguns tipos de cânceres, doenças cardiovasculares, asma e diabetes. Em estudos in vitro, as maçãs têm mostrado  ter uma forte atividade  oxidante, serem capazes de inibir a proliferação de células cancerosas, diminuir o oxidação lipídica e diminuir as taxas de colesterol. Maçãs contem uma grande quantidade de fitoquímicos, incluindo quercetina, catequina, floridzina e ácido clorogênico, todos eles fortes antioxidantes.

A composição fitoquímica das maçãs varia muito entre as diferentes variedades e há também pequenas variações nos fitoquímicos durante a maturação e o apodrecimento das fruta.A estocagem tem pouco ou nenhum efeito no conteúdo de fitoquímicos das maçãs, mas o seu processamento, como em sucos, altera largamente o conteúdo e a composição dos fitoquímicos.

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A propósito: em 24 horas minha acompanhante estava assintomática e a viagem de 17 horas ocorreu sem nenhum imprevisto. Coincidência? Ou uma preciosa contribuição da medicina tradicional ?

Leitura recomendada:

  1. Apple phytochemicals and their health benefits.Jeanelle Boyer and Rui Hai Liu.
  2. Wolfe K, Wu X, Liu RH: Antioxidant activity of apple peels. J Agric Food Chem. 2003, 51: 609-614. 10.1021/jf020782a.View Article

Esquentar comida no microondas, pode?

Você provavelmente já ouviu falar muito mal do seu microondas: que não pode ficar perto dele na hora que ele está esquentando algo (para não receber a radiação), que alimentos em recipientes de plástico não podem ser esquentados e que devemos tampar nossos pratos, para que a comida não fique ressecada. Tudo isto é verdade. Mas você já parou pra pensar se existe algum risco para nós, em comer algo esquentado no microondas?

microondas

Microondas: mocinho ou vilão?

É claro que rola aquele “medinho” de estar comendo algo com overdose de radiação e com riscos graves para a nossa saúde, mas não é bem isso que encontrei nos estudos científicos que tratam do assunto. Então vou dividir este texto em dois tópicos: a influência do microondas nos nutrientes dos alimentos esquentados e a possibilidade de contaminação dos alimentos.

Microondas versus nutrientes

Um texto interessante sobre o assunto, que me foi passado através de um amigo, reforça que é mais provável que os alimentos percam mais nutrientes quando preparados em uma panela com água do que quando esquentados no microondas. Vou explicar porquê. A cocção em água, que é o recomendado por todos os especialistas, não impede a saída de nutrientes do alimento durante o processo. Isto ocorre porque muitos nutrientes são hidrossolúveis, e por um simples processo de osmose, eles passam do meio mais concentrado para o menos concentrado. Adicione a isto, um longo período que este alimento fica na água trocando nutrientes: a perda é quase inevitável (mas vale reforçar que não desvaloriza o valor nutricional do alimento cozido, pois mesmo com a saída destes nutrientes, a concentração encontrada ainda é considerada satisfatória). No microondas esta perda é, teoricamente, menor, pois há quase nenhuma (ou pouca) utilização de água e a exposição ao processo de cocção é bem menor, já que o microondas age por apenas alguns minutos.

Encontrei uma gama de artigos do final da década de 80 e início da 90 (onde começamos a utilizar muito este eletrodoméstico) e pude observar que todos reforçaram não encontrar diferenças significativas em nutrientes de alimentos cozidos no microondas ou de maneira convencional. Se tiverem interesse em ler algum, sugiro que cliquem neste link, que vai lhe encaminhar para alguns resumos do Pubmed sobre o assunto. Um estudo, especificamente de 2009, também afirma que o microondas tem os menores efeitos na redução de característica antioxidantes em vegetais, reforçando o que falamos anteriormente. Por enquanto, de acordo com o discutido acima, não há prejuízo nutricional algum em esquentar seus alimentos no microondas.

radiação

Alimentos se contaminam com radiação?

Sim. É claro que os alimentos se contaminam com radiação, mas vocês acreditam que se esta contaminação fosse exorbitantemente absurda, os órgãos de saúde pública mundiais iriam permitir a venda deste eletrodoméstico por ai? A mesma fonte que citei no início deste texto confirmou a informação com o “INMETRO” americano, que afirma que a Food and Drug Administration (FDA) aceita alguns níveis de contaminação de radiação em um alimento. Os níveis encontrados em alimentos esquentados no microondas são muito inferiores ao limite imposto pelo FDA. Afirmam ainda que a produção de radiação do microondas se interrompe no momento em que a porta é aberta para a retirada do produto esquentado. Ou seja, é um período muito curto para se contaminar de maneira preocupante. Adicione a isto a prováveis camadas protetoras que são colocadas no alimento a ser esquentado: pratos, tampas, vidros. Estas barreiras também seguram bem a radiação.

O Dr. Louis A. Bloomfield, autor do site How Everything Works, é professor de física da Universidade de Virgínia. Especialista em física molecular e reações atômicas, ele respondeu a uma pergunta sobre a ação das radiações do microondas na estrutura dos alimentos esquentados (podendo criar nele algum tipo de mutação cancerígena). A resposta, resumidamente, afirma que as mudanças feitas pela radiação do microondas, na estrutura dos alimentos, são semelhantes às feitas por qualquer processo de cocção (como desnaturação das proteínas ou caramelização do açúcar). Ele reforça ainda que a ação de outros compostos, em conjunto com a radiação, como do ferro ou do aço, só podem queimar o alimento (assim como fazemos quando passamos do ponto na panela), nada diferente do que ocorre em um churrasco. O link para a resposta (em inglês), está aqui.

Devo me preocupar com o microondas?

Sinceramente? Não. Não há nada cientificamente provado, que seja relevante para começarmos a deixar nossos microondas de lado. É claro que eu prefiro trabalhar sempre com a moderação, por isto, prefira sempre a velha e boa tática do fogão para suas rotinas diárias, deixando o microondas para momentos de correria ou de falta de opção. Digo isto nem por questão de segurança alimentar não, mas é porque se tem algo que o microondas ainda não ganhou da cozinha convencional é que o tempero, saído de um bom mestre do fogão, supera qualquer comida seca e borrachuda do microondas.

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E o açúcar realmente não pode?

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Acho que a nossa alimentação nunca foi tão condenada como tem sido atualmente. Essa semana publicamos um estudo (confira aqui) que mostra a relação do consumo de altos níveis de açúcar com o envelhecimento do cérebro e o risco de demência.

Quimicamente falando os “açúcares” são compostos formados a partir da união de átomos de carbono, hidrogênio e oxigênio, independente do seu tipo (glicose, frutose, sacarose ou lactose). No dia a dia vamos ter os açúcares naturalmente encontrados nos alimentos, e os açúcares de adição, aqueles utilizados pela indústria alimentícia para conferir melhor sabor ou textura aos alimentos. E esse último sim, é que devemos ter maior atenção.

Para a Organização Mundial de Saúde o consumo de açúcares de adição, não deve ultrapassar 10% das nossas calorias na nossa dieta.

Em uma pesquisa rápida no site da Embrapa, dá ver o real consumo de açúcar no Brasil nos últimos 60 anos. Enquanto em 1930 os brasileiros consumiam em média 15 quilos de açúcar por habitante por ano, em 1990 esse número subiu para 50 quilos por ano, e ainda continua subindo. A estimativa atual é de que cada brasileiro consuma em média entre 51 e 55 quilos de açúcar por ano (aproximadamente 150 gramas por dia), enquanto a média mundial é de 21 quilos de açúcar por pessoa.

Segundo alguns cientistas americanos, esse açúcar que é adicionado aos alimentos ativa o nosso sistema neurológico causando euforia através da liberação de um hormônio chamado de dopamina. O resultado? Nos tornamos cada vez mais tolerantes, ou melhor, viciados ao açúcar.

Mas vamos com calma. Não estou dizendo que você está proibido de tomar o seu café com açúcar no final da tarde, ou que tem que trocar o açúcar pelo adoçante. Aliás, independente de qual é o melhor adoçantes, eles foram criados para atender as pessoas diabéticas, isso é um fato!

Os açúcares devem fazer parte da nossa dieta. Restringir todo e qualquer tipo de fonte de açúcar (carboidratos) significa reduzir a quantidade de substrato que oferecemos para o nosso corpo produzir energia.

Quer dar os primeiros passos para reduzir o açúcar extra na sua dieta? Fique atento aos rótulos dos produtos industrializados. Por lei, as empresas são obrigadas a declararem em seus rótulos a lista de ingredientes que contêm naquele determinado produto, obedecendo a ordem de maior quantidade de ingrediente por porção.

escritopor2evandro

Fontes:

E o bacalhau, pode?

Com a páscoa chegando, além dos mercados e padarias se enlouquecerem com as vendas de ovos de chocolate, outro produto ganha destaque na prateleira e na mesa do brasileiro: o bacalhau. Mas comer este peixe cheio de sal pode? Pode sim, e vamos te contar porquê.

bacalhau

O bacalhau é um peixe originário dos mares nórdicos, encontrado com grande frequência na costa da Noruega, Canadá e Alaska. O que chamou a atenção dos navegantes portugueses, lá nos tempos de Cabral, para este tipo de alimento foi a facilidade de adaptação ao processo de salga, para conservação do peixe para transporte em longas viagens (afinal, naquele tempo não existia geladeira e nem conservantes artificiais). Por isto conhecemos este peixe como um produto originário de Portugal, mas não se enganem, o bom e originário bacalhau é capturado bem longe dali.

Devido a pesca predatória frequente deste peixe, e consequente diminuição de sua oferta nos mares gelados da Noruega e Canadá, o preço deste produto costuma ser alto e, muitas vezes, abusivo. Por isto não dá para servir bacalhau todo dia na mesa dos brasileiros (e nem mesmo na dos portugueses). O bacalhau da noruega é o mais caro, por ter sabor mais delicado e por conseguir manter postas inteiras após o dessalgue. O canadense é de preço inferior, mas nutricionalmente semelhante ao irmão norueguês.

A vantagem nutricional do bacalhau é que ele é uma excelente fonte de proteínas e ômega 3 (como qualquer outro peixe), porém com baixo teor de gorduras. Se o processo de dessalgue for feito direitinho (de 24 a 48h, dependendo do tamanho da posta, e em água gelada) não há risco de consumir grandes quantidades de sal, o que preocuparia os indivíduos hipertensos. Vale ressaltar aqui que 100g deste peixe contém em média 130kcal, isto se ele for consumido a parte. Geralmente as bacalhoadas, ou outros pratos que levam este peixe em sua composição (como o bacalhau com natas) costumam levar ingredientes mais “pesados”, podendo elevar o valor calórico deste alimento para até 300kcal por posta.

O bacalhau é sim uma excelente opção de alimentação para a páscoa (especialmente para os adeptos de carne branca na sexta-feira da paixão), mas lembre-se de atentar ao preparo do prato e comer sempre com moderação!

escritopor2marina

Papinha de neném industrializada, pode?

Você mamãe de primeira, segunda, terceira viagem já deve ter se feito esta pergunta algumas vezes. Nós do Batata Frita resolvemos te responder que pode! Mas…

Sempre que possível, sempre, sempre prefira alimentos in natura. A questão aqui nem é a utilização de conservantes ou adição de sódio ou açúcar, já que as papinhas industrializadas para crianças são isentas destes aditivos. Elas também não preocupam em relação aos valores nutricionais: suas combinações são nutricionalmente adequadas, atingindo todas as necessidades do bebê de acordo com sua idade (geralmente na embalagem das papinhas é possível encontrar a idade indicada para cada formulação).

                         papinha_pronta   X  papinha_caseira

Então porque preferir papinhas in natura?

A explicação é simples. Você não prefere comer uma refeição com tempero caseiro, feita com carinho, que tem cheio e sabor diferentes das que você come na rua? Pois é, seu bebê também sente esta diferença. O alimento preparado na hora é mais gostoso, além disto a criança precisa aprender a explorar sabores e texturas diferentes, o que não é possível com uma formulação pronta, visto que elas tem limitação de sabores. Comer todo dia a mesma papinha industrializada é a mesma coisa de repetir todo os dias o mesmo prato de almoço: a variedade é importante para desenvolver na criança o gosto por sabores diferentes, permitindo que ela cresça com menos restrições alimentares. Além disto cozinhar é um carinho para a criança, mesmo que a refeição não tenha sido pela mãe.

Quando posso utilizar papinhas industrializadas?

O que tranquiliza na utilização destas papinhas é que não é preciso esquentar ou esfriar, podendo ser servida em temperatura ambiente, já que quando lacrada ela é totalmente estéril. Por isto estas formulações prontas são excelente opções para carregar em viagens ou em longos períodos fora de casa, por serem práticas e de fácil armazenamento. Elas também são boas opções para quando a família opta em almoçar em restaurantes ou fora de casa e não querem correr o risco de não encontrar nenhum prato que possa servir ao bebê.

Posso então usar as papinhas prontas?

Pode sim, mas lembre-se de priorizar sempre a alimentação in natura pelos motivos citados acima e deixar as papinhas prontas somente para um momento de praticidade.

escritopor2marina