A medicalização do dia-a-dia

Crônica originalmente escrita por Mauro Kleber no blog Raras Ideias

A partir de um excelente artigo de Jorge Quillfeldt *: A Medicalização da Vida, publicado na Scientific American brasileira , passo a discutir alguns fatos médicos que me têm deixado um pouco preocupado: o excesso de diagnósticos, na área médica, incluindo aí o campo da nutrição clínica, campo em que esta prática tem se mostrado extremamente exagerada e desastrosa.

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Como cita Quillfeldt em seu artigo, (1)  “Pessoas saudáveis são pacientes que ainda não sabem que estão doentes”. A afirmação foi feita por um personagem de uma peça teatral satírica (2) : Na peça, um médico ambicioso, o Dr. Knock, chega em uma pequena cidade do interior da França – St.Maurice, para suceder ao Dr. Parpalaid, um médico íntegro e honesto, mas que tinha poucos pacientes. O estado de saúde da cidade era excelente, e o Dr Knock, sem ter o que fazer resolve convencer a todos da cidade de que eles estão doentes. É então que ele usa a frase supracitada. O resultado é imediato. Toda a população é colocada em casa, acamada, o hotel é transformado em uma clínica e até mesmo o Dr. Parpalaid, que retorna temporariamente ao vilarejo, fica preocupado com a sua saúde e é internado peloDr.Knock.

Parece incrível, mas hoje, quase 100 anos após a peça ter sido escrita (3) , a profecia ou a prática do Dr. Knock, vem se tornado uma prática rotineira no meio médico mundial. Não há dúvida que houve grandes avanços na medicina nos últimos anos, mas com isto veio o exagero, e a medicalização de temas, que embora tenham a ver com a saúde, às vezes não são estritamente médicos. Quillfeld define medicalizar como “passar a definir e tratar algo como um problema médico ou direcionar conhecimentos e recursos técnicos (grifo meu) da medicina para tratar algo que antes não era abrangido por esta área”.

Segundo o autor, a facilidade tecnológica em detectar novas patologias (como o autismo) e reinterpretar outras (como a histeria), pode facilitar que novas doenças possam ser criadas, quando situações normais acabam tidas como doenças. Sou testemunha do quanto isto tem sido frequente no consultório, notadamente no que diz respeito a condições como intolerância à lactose ou ao glúten, por exemplo. Quando eu era criança não conheci nenhum de meus amigos, com os lábios lambuzados de leite, o pão empanturrado de manteiga e queijo, ou que comesse bolo quente roubado e que passasse mal depois. Quando muito sofríamos com uma palmada, ou éramos alertados com o aviso de que bolo quente pode fazer mal para a saúde. Ninguém era intolerante à lactose ou ao glúten. O que aconteceu? As técnicas diagnósticas estão melhores, mas porque não tínhamos diarreia ou intolerância? Mudamos nós, ou mudaram os alimentos, ou os médicos. Esperamos discutir estas e outras dúvidas nos próximos posts.

Mas fiquemos, por enquanto, só com a medicalização. Há exemplos diversos: desde a pílula anticoncepcional, que proporcionou uma revolução sexual, até os antissépticos bucais, que terminaram com o mau hálito, a remédios para calvície, para síndrome das pernas inquietas, para timidez , para falta de concentração, uma epidemia infantil, hoje tratável com a quase onipresente ritalina, para a tristeza, via antidepressivos e até para o envelhecimento, como os medicamentos para a disfunção erétil e para a deficiência de testosterona que combatem as temíveis diminuição da libido e a impotência, só para citar as menos bizarras. O importante é que há uma doença para cada um. Se você não está sentindo nada é porque ainda não fez o seu check up anual, ou semestral, com um Dr. Knock.

Mas qual o problema em ficar mais bonito, tentar ser jovem, fazer prevenção? Nenhum, não viessem estes procedimentos acompanhados de sofrimento psicológico com condições naturais ou fisiológicas, a perda da autonomia em tomar decisões básicas sobre sua vida e sua saúde (agora delegada ao médico) , ao fim da subjetividade, tanto por parte do médico, quanto do paciente, na análise de situações corriqueiras, ao aumento nos custos da saúde, que em última análise vai ser subsidiado por você mesmo, através do aumento das mensalidades de seu plano de saúde e dos impostos destinados a manter a boa saúde pública. Além disto há a iatrogenia – a consequência de um ato originado a partir de uma intervenção médica ou com o seu aval.

Hoje a pseudociência nada de braçada. A moderna medicina, baseada em evidências, é usada e abusada, como justificativa para a aplicação de técnicas ultramodernas, com resultados encorajadores, mas também abre espaço para a os enganadores, para a medicina alternativa , para o tratamento de exames ao invés de pacientes. Assim Dr. Knock assegura um lugar para cada um em seu hotel-hospital e duvido que você não conheça pelo menos uma pessoa que está agora, neste momento, sendo envenenada pelo glúten ou tendo sua saúde ameaçada por um copo de leite.

NOTAS:

[1] Scientific American Brasil,155:20,2015

* Neurocientista e divulgador de ciência. Licenciado em física, mestre em bioquímica e doutor em fisiologia. Professor titular de Departamento de Biofísica, IB/UFRGS. Coordenador da disciplina de exobiologia.

[2] Knock ou Le Triomphe de la medicine é uma peça escrita pelo escritor francês Jules Romains. Ela foi apresentada pela primeira vez em Paris no Théâtre des Champs-Élysées, no dia 15 de dezembro de 1923 e depois recebeu uma adaptação para o inglês pelo jovem Orson Welles, então com 16 anos, no Peacock Theatre, em Dublin. Há também duas adaptações cinematográficas da peça Knock ou Le Triomphe de la medicine, de 1933, dirigido por Roger Goupillières e Louis Jouvet e Dr Knock, de 1951, dirigido por Guy Lefranc.

[3] Para ser justo, Machado de Assis, em seu conto O Alienista, de 1882, já aborda tema semelhante, com relação à saúde mental

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Ainda queremos falar sobre o glúten

Praticamente um ano se passou quando resolvemos fazer um manifesto a favor do consumo de glúten por pessoas que não tem a doença celíaca (leia aqui) e cá estamos nós de novo para falar deste tão temido composto alimentar.

O motivo que me traz de volta a este assunto é muito simples. Nós, aqui do Batata Frita, lemos três reportagens interessantes que falavam sobre a temática da dieta glúten-free. Em duas delas, mais voltadas ao valor nutricional destas práticas alimentares, víamos que existia uma clara tendência em incentivar as pessoas a, talvez, não excluir o glúten de maneira tão radical e precoce da sua alimentação. As alegações eram várias, que passavam da baixa ingestão de fibras em uma dieta sem os alimentos fonte desta proteína, quanto a baixa qualidade nutricional de uma rotina alimentar sem glúten. Na outra reportagem, da revista The Economist, fomos apresentados ao significante aumento do faturamento da indústria alimentícia após o “boom” das dietas sem glúten: o crescimento desta fatia do mercado chegava a 45% de 2011 a 2013, com faturamentos anuais de 15 bilhões de dólares.

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Diante destes fatos eu ainda quero lhe perguntar: será que retirar o glúten da dieta é uma ação motivada por estudos clínicos, ou por uma necessidade do mercado em se reinventar?

Não preciso reforçar aqui o quanto eu julgo importante para a nossa alimentação a ingestão do trigo e de outros alimentos que contém o glúten em sua composição, já que quem nos acompanha sabe direitinho qual é o nosso posicionamento sobre o assunto. Não preciso também dizer que a dieta glúten-free, realizada por pacientes celíacos, não precisa ser deficiente em nutrientes ou valor nutricional, já que hoje, além das alternativas industrializadas sem a proteína, é possível fazer substituições saudáveis que permitem que estes indivíduos tenham uma vida perfeitamente normal. Então porque estamos nos debatendo e protestando contra a prática da dieta glúten-free por indivíduos saudáveis? A resposta para mim (que já estava muito clara na minha cabeça), veio após a leitura destas reportagens.

Nós somos verdadeiras marionetes da indústria alimentícia. Nas últimas três décadas esta tendência só se torna ainda maior. Queremos saber cada vez mais sobre o que faz bem, o que faz mal, o que emagrece, o que dá câncer, o que engorda e o que mata. Por isto dietas da moda fazem tanto sucesso, livros sobre alimentação vendem tanto e produtos da seção diet dos supermercados são os mais caros e mais procurados. A indústria entende muito bem esta demanda e necessidade, e sabe muito bem trabalhar a clientela que tem. Não é suspeito o glúten, que antes era um nutriente como outro qualquer, de repente virar o maior vilão da nossa alimentação? E assim, repentinamente, surgirem tantas alternativas industrializadas para que ele pudesse ser excluído da nossa alimentação? As estatísticas do mercado consumidor são bem claras sobre a procura destes produtos, que é muito maior em grupos de pessoas saudáveis do que por quem tem a doença celíaca. E é esta procura que justifica o grande faturamento do mercado.

Tirar o glúten não vai te fazer mais magro ou mais saudável, mas com certeza vai deixar os bolsos dos produtores destes alimentos ainda muito mais cheios. Você sabia que os produtos sem glúten hoje são mais procurados do que os vegetarianos? Pois é. Talvez tenha chegado a hora de começarmos a rever nossos conceitos em relação a estes alimentos. Quem sabe falando sobre o que dói no bolso chame mais a atenção do que a importância nutricional deste composto alimentar? Quem sabe diminuindo a nossa demanda por estes produtos (desnecessários) para pessoas sem a doença celíaca, conseguimos forçar o mercado para baratear os preços para quem realmente precisa adquirir estes alimentos? Queridos leitores, não deixem de refletir sobre o que estamos falando há mais de um ano, mas se vocês ainda não confiam 100% na nossa opinião não tem problema, é só não deixar de acreditar que a indústria alimentícia não está tão preocupada assim com o seu bem estar como parece.

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Globo Repórter e seu desfavor à sociedade

Nós sabemos que o assunto foi tratado na sexta-feira mas, como também somos filhos de Deus, nós descansamos no sábado e no domingo e aproveitamos para refletir sobre o que o Globo Repórter fez no episódio do dia 26/09.

A temática do glúten já foi discutida aqui no blog na postagem “E o glúten, pode?” e deu um reboliço danado nos comentários. Até eu, que tenho minha dissertação de mestrado defendida na UFMG sobre a temática da doença celíaca, fui “convidada” a estudar mais por alguns dos defensores mais ferrenhos da dieta glúten-free. Mas este não é o mérito da nossa postagem. O que eu gostaria de discutir aqui é o desfavor que o programa da TV Globo, o Globo Repórter, faz para a nossa sociedade quando resolve tratar sobre temas de alimentação em suas reportagens (e não, não vou nem perder meu tempo falando do “Bem Estar” porque graças a Deus muita gente não pode assistir a esta maravilha por causa de seu horário de transmissão).

Não é novidade que o Globo Repórter adora discutir algumas questões sobre saúde em seu programa: ele fala de cura do câncer, do uso medicinal da maconha, da importância da atividade física e qualquer outro tema que está na moda abordar. Mas a alimentação é seu tópico preferido (logo depois da vida selvagem no pantanal ou nas savanas africanas). Apesar de já ter visto algumas reportagens interessantes sobre alimentos da moda e alguns estilos de vida, o Globo Repórter (GR) faz o favor de sempre reforçar mitos dietéticos que nós, nutricionistas sérios, custamos em desmistificar.

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Nesta sexta-feira o assunto era o pãozinho de sal, alimento tradicional do café da manhã da maioria dos brasileiros. Ao invés de falar das vantagens desta prática, da importância do trigo na nossa alimentação, da fonte de energia que ele representa, ou até do valor sentimental que este produto trás para o brasileiro, eles optaram por falar do glúten. Até ai, tudo bem. O glúten é mesmo uma boa temática para um programa investigativo como o GR, já que muitos dos avanços nutricionais e culinários da alimentação da sociedade ocidental foram alcançados graças a ele. O problema é que, ao invés de mostrar as vantagens e os benefícios de um composto alimentar que está sendo, injustamente, criminalizado pela mídia fitness, o GR prefere se unir ao estilo de abordagem que dá mais ibope: a terrorista. Falar que o glúten faz mal é fácil e dá audiência, o difícil é convencer os outros, que já estão convencidos que este composto é maligno ao nosso organismo, de que ele não é vilão. Ainda bem que para estes méritos (e para nos defender de eventuais ataques dos “defensores da alimentação glúten-free” de plantão) existe a orientação do Conselho Federal dos Nutricionistas.

O negócio é que, se para o glúten existe esta orientação formal e profissional sobre o assunto, o mesmo não acontece com outros alimentos que o GR transformou em vilão ou em solução milagrosa para os seus problemas (porque sim, eles fazem isso também). Enquanto o tomate, por exemplo, virou um dos principais causadores de câncer do país (especialmente após a morte do cantor Leandro – lembram?), o Goji Berry era a solução emagrecedora para qualquer homem e mulher que sofresse com alguns quilinhos a mais. Lembrar de cada um do alimentos que já foram “estudados” por este programa televisivo é praticamente impossível para nós. Mas se vocês não vão discutir o que o GR (ou o Bem Estar, Fantástico, Melhor do Brasil, Jornal Nacional, etc) dizem de certo e errado sobre as várias vertentes da alimentação, o que vocês querem dizer com este texto Marina? Nós, do Batata Frita Pode, que SEMPRE falamos aqui que o importante é a moderação com qualquer alimento ou prática dietética, não queremos parecer repetitivos e falar novamente sobre esta nossa premissa. Nós só queremos alertar você leitor para que não acredite em qualquer coisa que vê na TV. Na dúvida pode perguntar aqui pra gente mesmo, que teremos o maior dos prazeres em responder.

Se lhes resta alguma dúvida sobre a nossa capacidade de tirar suas dúvidas sobre alimentação é só clicar na aba “Quem Somos Nós?”, e ver nossa formação. E que os programas de televisão (e as revistas e jornais) tentem cada vez menos responder questionamentos que não cabem a eles, formadores de opinião tão mais fortes do que nós, meros profissionais da área da saúde.escritopor2marina

E o glúten, pode?

Sempre me pego perguntando de onde será que vem estas teorias para novas dietas milagrosas. Me pergunto mas quase sempre sei que a resposta vem de algum estudo científico mal lido ou alguma resposta orgânica mal explorada. Toda vez algum pobre alimento é sacrificado nesta brincadeira; já foi o tomate, a carne, o leite e agora o glúten. Mas calma, calma xiitas da alimentação gluten-free, antes de começarmos as polêmicas vamos começar discutindo de onde veio todo esse temor aos alimentos com glúten.
Trigo: vilão ou herói da saúde humana?
Já discutimos aqui mesmo no blog sobre a Doença Celíaca (aliás temos um marcador ali no canto da tela só sobre a doença e sugestões sem glúten, mas pode clicar aqui também se quiser achar) onde expliquei um pouquinho sobre a sintomatologia da doença após a ingestão deste composto proteico. Mas quero ir um pouco mais a fundo, porque é que estes pacientes são “intolerantes” ou “alérgicos” ao glúten? O paciente com DC (vamos chamar a doença assim, para ficar menos cansativo) apresenta uma alteração genética, ainda não totalmente explicada pela ciência, em alelos específicos que, aparentemente, dificultam a degradação desta proteína, que é o glúten, no seu sistema digestório. Esta alteração genética existe desde o nascimento deste indivíduo, não sendo causada por hábitos alimentares, viroses, bactérias ou qualquer outra interferência externa (pelo menos não foi constatado nada sobre isto ainda). Ou seja, estes indivíduos com esta alteração genética específica são SIM alérgicos (ou intolerantes) ao glúten. Não há nada que cure esta intolerância. A ingestão do glúten nestes pacientes causa todos aqueles sintomas que já citamos no outro post como diarreia, má absorção de nutrientes, cólicas e várias outras manifestações gastrointestinais semelhantes a outras doenças que atingem a região do intestino. Como evitar isto? Realizando uma dieta gluten-free, ou seja, retirando o glúten da sua dieta.
Agora, se lhe resta alguma dúvida sobre o quadro clínico da DC peço que você, caro leitor, releia o parágrafo acima antes de continuar este texto. Vou discutir pequenas questões em tópicos para chegarmos a alguma conclusão juntos.
Vamos ao meu primeiro questionamento: é possível uma pessoa sem alterações genéticas que causariam a DC ter alergia ao glúten? Bom, nunca podemos afirmar 100% que não, mas é pouco provável que esta pessoa tenha. Sabe-se que alguns pacientes podem apresentar leve desconforto ao ingerir alimentos fonte de glúten (como gases ou cólicas intestinais), mas isto se deve muito ao fato de carboidratos (em especial cereais como o trigo e a cevada) sofrerem um leve processo de fermentação no nosso intestino. Isto é perfeitamente normal, mas se o desconforto chega a ser um pouco desagradável a retirada de alimentos com glúten da dieta pode melhorar os sintomas deste indivíduo específico. Mas ele não terá consequências graves como os pacientes com DC como a má absorção de nutrientes, ou diarreias frequentes e perda de peso. Isto porque ele não é um alérgico, ele é simplesmente um intolerante leve, ou um “fermentador” como eu gosto de chamar.
Se você não tem DC esta foto não é assustadora!
Questionamento número dois: Se eu não tenho alterações genéticas mas ainda acho que o glúten faz mal eu posso excluir estes carboidratos da minha dieta? Poder você pode tudo meu caro leitor, mas eu peço que escute a opinião de uma nutricionista não radical, que sou eu, sobre o glúten. Eu não sei se vocês sabem mas a introdução do trigo (e seus coleguinhas cevada e centeio) foi uma grande conquista da humanidade. Desde os primórdios da vida humana na terra os cereais eram alimentos somente direcionados aos animais, deixando os homens com tubérculos ou raízes de fácil preparo. O que acontecia é que quando a seca chegava o homem sofria com a escassez de alimentos. A descoberta do preparo de alimentos com trigo (como o pão e as massas) permitiu que a espécie humana armazenasse estes alimentos por longos períodos de seca, e a transformação destes cereais em alimentos perecíveis é possível graças a mesma proteína que causa medo na nossa sociedade atual: o glúten. Esta proteína permite a elasticidade das massas produzidas com trigo, cevada ou centeio, e por isto é tão fácil manusear e armazenar as mesmas. A nossa sociedade é tão dependente do trigo hoje que é difícil excluir este composto da dieta, sem contar que ele é, acredite ou não, excelente fonte de vitaminas e minerais. Então, querido leitor, eu te devolvo a pergunta, porque você excluiria estes carboidratos da dieta se você não tem doença celíaca?
O glúten e sua elasticidade salvadora da humanidade
Questionamento número três: Se eu excluir o glúten da minha dieta eu vou emagrecer? Provavelmente sim e vou te explicar porquê. O motivo da sua perda de peso não é, nunca foi e nunca será a presença do glúten no alimento, e que isso fique bem claro ok? O glúten é uma proteína que compõe vários alimentos consumidos pela nossa população. Porquê você emagrece então? A nossa alimentação (quando digo nossa quero dizer do brasileiro) e extremamente dependente de alimentos fonte de glúten (vide o pão, macarrão, biscoito, bolo, cerveja). Se você parar pra pensar, pelo menos uma vez por dia você se alimenta de algo que tem glúten, e geralmente você gosta deste alimento. O que acontece quando você exclui este alimento? A sua tendência é reduzir a quantidade de calorias que você come por dia, afinal você está excluindo algo que faz parte da sua alimentação diária, e por causa desta redução calórica a longo prazo (considerando que você vai excluir o glúten por vários meses da sua dieta) você perde peso. Simples assim. Funcionaria da mesma maneira se você fosse um fanático por carnes e excluísse todas elas da sua alimentação.
O motivo do meu texto não é desmoralizar ou criticar (ok, talvez um pouquinho) os adeptos da nova onda de dieta gluten-free. O meu objetivo é, diferente de muitos nutricionistas por ai, defender o coitadinho dos ataques frequentes sobre suas características. O que quero dizer é que o trigo, a cevada e o centeio são fontes calóricas, de vitaminas e minerais muito importantes para a população brasileira, e digo isto porque vejo a dificuldade que é atingir as necessidades nutricionais de pacientes que não podem ingerir o glúten. Além disto a exclusão do glúten se torna quase uma exclusão social, visto que somos extremamente dependente destes alimentos para nos alimentarmos, e esta situação é talvez a mais difícil de ser contornada em um paciente com DC. Há estudos que mostram relatos de depressão e exclusão social destes pacientes simplesmente pelo fato de não conseguirem comer um pão. Por isto volto aqui a defender o glúten, se você pode comer, porque passar por todo este sacrifício que a doença celíaca faz com quem muitos indivíduos passem? Eu tenho certeza que, se pudesse, o celíaco nunca daria as costas a um prato de macarrão. E eu se fosse você também não daria. Pode ser que a ciência um dia prove que eu estou totalmente errada e que o glúten é realmente um vilão para todos nós, e vocês lerão este post neste dia e vão me chover de críticas no blog, mas eu espero, de verdade, que este dia nunca chegue. Eu gosto demais do trigo para deixar que ele seja jogado as traças assim.
Obs: Nenhum alimento com ou sem glúten foi ferido durante a elaboração deste texto.
Obs2: Quer outra opinião sobre o assunto? Leia aqui:
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