Eu comi uma crepioca ontem (e gostei!)

Pensei em escrever esse texto logo após terminar um saboroso prato de crepioca que meu marido fez para mim no jantar ontem a noite. Crepioca, para quem não sabe, é uma receita de omelete com tapioca, que foi criada para se adequar as múltiplas orientações de quem quer ter uma vida e uma alimentação mais fitness. Naturalmente, como vocês bem me conhecem, eu torceria o nariz para introduzir esse tipo de preparação na minha dieta, mas confesso que me surpreendi ao colocar o primeiro pedaço da crepioca na boca. Essa surpresa que motivou minhas reflexões abaixo.

O universo da nutrição se tornou um ambiente tão cheio de “achismos” e “modismos” que atualmente vivemos em uma batalha constante entre os que acreditam em tudo que a mídia fala, contra os que defendem a prática de uma alimentação mais normal (eu me encaixo aqui!). Essa batalha, apesar de válida em muitos momentos, tem nos tirado um dos maiores benefícios da curiosidade humana: a possibilidade de experimentar novos sabores.

São tantas receitas fitness ou emagrecedoras que são divulgadas para ajudar a perder aqueles quilinhos indesejados, que nós esquecemos de perceber que muitos desses pratos são muito mais do que alternativas nutricionais para alcançar o objetivo desejado: elas são experiências gastronômicas muito interessantes. É claro que eu não estou falando aqui do brigadeiro de whey protein, ou do smoothie feito com albumina, mas sim das receitas que usam ingredientes que são naturais, mas que tem sido classificados como fitness por causa desse modismo maluco que atinge os nossos hábitos alimentares (sim, eu estou falando da tapioca).

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Imagem: Na Mira

Pego como exemplo a própria crepioca. O omelete é um delicioso prato, rico em proteínas animais e gorduras benéficas para a nossa saúde. A adição da tapioca no seu preparo, além de enriquecer o alimento com boas doses de carboidrato, dá ao omelete uma textura diferente, que lembra muito um crepe (dai o nome “crepioca”), transformando a experiência em consumir o omelete em algo completamente diferente. Outro bom exemplo é o suco verde. Eu sou contra quem usa esse suco para poder seguir rotinas detox e aumentar a eliminação de toxinas do corpo (aliás, ainda não descobri quais são essas toxinas tão perigosas que meu corpo produz e que o suco verde elimina. Se vocês descobrirem me contem!), mas sou a favor de quem consome essa bebida porque gosta do sabor e porque valoriza a mistura de nutrientes que ela oferece.

O que estou querendo dizer com toda essa reflexão é que, talvez, nós nutricionistas devemos baixar a guarda nesta batalha do “certo ou errado”. Se seu paciente quer comer um pote de iogurte por dia com uma colher de sopa de Goji Berry, qual seria o problema? Se ele gosta do sabor, está satisfeito e está se mantendo saudável assim, o Goji Berry não é o problema. Precisamos ensinar nossos pacientes a escolher melhor seus objetivos na hora de comer os alimentos, e não necessariamente escolher os seus alimentos porque isso ou aquilo “cientificamente não funciona”. Se o objetivo final do seu paciente é viver bem e com prazer, porque não permitir que ele coma sua crepioca? Ou sua panqueca de banana? Ou seu pão com manteiga de amendoim? Ou a sua tapioca com queijo? Essas receitas são tão saborosas, e nutritivas, quanto o nosso tradicional prato de arroz com feijão, ou qualquer outra sugestão feita por vários nutricionistas espalhados pelo país.

Quando nos tornamos menos resistentes a essas “novidades” do mercado, e aprendemos a apreciar seu valor em uma alimentação equilibrada e não restritiva, nós ganhamos a confiança do nosso cliente, e também aprendemos a abrir nosso coração para outras opções de pratos e alimentos extremamente saborosos.

Obs1: Sim, vou adicionar a crepioca ao meu cardápio semanal, especialmente por sua praticidade.

Obs2: Não, eu continuo sendo contra a ingestão de receitas elaboradas com isolados de proteína e seus derivados fitness.

Obs3: Esse texto não justifica a prática de uma dieta glúten free ou lactose free por indivíduos que não apresentam, respectivamente, doença celíaca ou intolerância à lactose.

Obs4: Aceito sugestões de receitas sempre!

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Batatômetro: Holy Fit – Creme de avelã com cacau

Se você é aquele tipo de pessoa fissurada nas linhas de produtos fitness, certamente já ouviu falar deste produto. Se não, com certeza ainda vai ouvir, experimentar e comentar com os conhecidos.

Pois bem, eu vi este produto e resolvi experimentar, então, vamos à classificação segundo aparência, informações nutricionais, embalagem, sabor e preço. Lembrando que nossa escala vai de 1 a 10, sendo 10 a excelência no item avaliado e 1  pior resultado possível.

Embalagem: Nota 8

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A embalagem é simples, bem organizada, contém todas as informações necessárias bem dispostas, como a tabela nutricional, ingrediente, data de validade e data de fabricação. Perdeu dois pontos, pelo fato de do pote lembrar papinha de neném, acho que a tampa poderia ser modificada, algo mais moderno, talvez.

Aparência: Nota 9

Ao compararmos esse creme de avelã, com outro vendido no mercado, notamos que o produto concorrente é mais cremoso, mas isso pode ser devido aos emulsificantes contidos nos concorrentes, então no quesito aparência, o produto aparenta ser bem apetitoso.

Sabor: Nota 8

O sabor do produto é bem satisfatório, conseguimos sentir o sabor dos principais ingredientes que são o cacau em pó e a avelã, além do mais, este produto não leva açúcar na sua composição. Ele é produzido com sucralose –  um adoçante que pode ser usado sem restrições, por não ser tóxico e não ter efeito na secreção de insulina.

Informações nutricionais: Nota 9

Quando a gente pensa em um produto chocolate e avelã, imaginamos rapidamente o que? Gordura e açúcar, certo? Pois é, o que surpreende neste produto é que ele não leva açúcar e suas 111 kcal/ porção estão distribuídas em proteínas e gorduras do bem Tudo isso graças a presença da sucralose que substitui o açúcar e da avelã que é rica em proteínas e gorduras boas. Abaixo, a descrição do produto:

CREME DE AVELÃ + CACAU E SUCRALOSE. Ingredientes: Avelã, cacau em pó, sucralose, aroma de baunilha. Informação Nutricional: Porção de 36g (2 col. sopa): Valor energético: 111kcal (5,55% VD*); Carboidrato: 2,3g (0,77% VD*); Proteínas: 5,9g (7,9% VD*); Gorduras totais: 10,3g (18,73% VD*); Gorduras saturadas: 0,7g (3,18% VD*). Não contém quantidades significativas de Sódio, Ferro e Cálcio. *VD: Valores diários de referência com base em uma dieta de 2000kcal. 

NÃO CONTÉM GLÚTEN. NÃO CONTÉM LACTOSE. ATENÇÃO! ESSE PRODUTO PODE CONTER VESTÍGIOS DE AÇÚCAR DO CACAU!

Preço: Nota 7

No site um pote de 150g custa R$16,00 mais a taxa de entrega. Quando comparado a preços concorrentes, a média é essa mesmo, entre R$13,00 e R$16,00. Mas ainda é um preço alto para o consumo da população brasileira.

Nota final: 8,2

Apesar do custo, o produto é considerado ótimo, principalmente pelos ingredientes. devemos lembrar que a maioria dos concorrentes contém ingredientes como emulsificantes e aromatizantes, este não contém e ainda tem a vantagem de ser sem lactose e sem glúten, para a alegria dos intolerantes a lactose e celíacos. Enfim consuma com moderação e sempre consulte a sua nutri. 😉

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