Preciso fazer dieta no carnaval?

A época mais esperada do ano para vários brasileiros chegou: o Carnaval! Mas com esta bela festa, que marca o real início do novo ano para o país, chega também aquela tradicional insegurança com o corpo para curtir a folia. Você deve estar se perguntando se é necessário fazer uma dieta no Carnaval para não chutar o balde nos bloquinhos e festas, não é mesmo? E a minha resposta para esta pergunta é: claro que não.

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Preocupar-se com o físico no Carnaval pode não somente ser desnecessário, como também pode colocar sua saúde e integridade em risco. Digo isto porque sei (e você também sabe e não adianta esconder) que o Carnaval pode ser uma época de excessos em todos os sentidos, e você não precisa se julgar por isto. Nesta festa bebemos muito, ou comemos muito, ou dançamos muito, ou beijamos muito, ou descansamos muito. Tudo no Carnaval é muito, e é por este motivo que os católicos criaram a quaresma para poder compensar qualquer excesso que tenha sido cometido no “feriado pagão”. Exatamente por sermos excessivos nesta época do ano é que não podemos nos dar ao luxo de fazer sacrifícios. Imagine só fazer uma dieta restritiva e sair para pular e beber nos blocos de carnaval? O resultado? Muito mal estar, desmaios, vômitos e várias outras situações desagradáveis relacionadas a falta de ingestão de alimentos.

O melhor amigo do folião no Carnaval, por mais incrível que possa parecer, é o carboidrato. Este macronutriente que vai garantir a energia necessária para que você consiga dançar e se divertir durante as várias horas de festa, além de ser o responsável por proteger seu estômago do excesso de consumo de bebidas alcoólicas e também por elevar sua glicemia após longas horas sem se alimentar. A proteína e as gorduras, neste período, devem ser consumidas com cautela, já que tem digestão mais lenta e podem causar desconfortos gastrointestinais durante a festa. Como as dietas que muitas pessoas praticam para não ganhar peso são relacionadas com a redução de ingestão de carboidratos e um possível aumento da ingestão de proteínas, podemos afirmar que estas práticas não são muito adequadas para o Carnaval, já que podem resultar no fim antecipado da sua folia.

Por este motivo dieta e carnaval não combinam. Aliás vida e dietas restritivas não combinam, como sempre frisamos por aqui. Se você sabe que passou da conta no Carnaval, não é preciso surtar e procurar a primeira dieta de revista que vê pela frente: basta retomar sua rotina de alimentação equilibrada e prática de exercícios físicos para que, naturalmente, seu corpo volte ao padrão físico que você está habituado. Lembre-se que o Carnaval é só uma época do ano, e por isto os excessos estão liberados, mas que esta prática deve ser evitada nos próximos meses para que você esteja sempre em dia com sua saúde e com seu bem estar.

E ah! Não se esqueça de tomar MUITA água para não desidratar neste calor.

Boa folia para todo mundo e um bom início de ano pra valer!

escritopor2marina

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Oi, você é nutricionista?

Se você é formado em nutrição, com certeza arrepia quando escuta a pergunta que dá título a este texto. Sim, nós nutricionistas as vezes temos medo de falar que somos nutricionistas pelo simples motivo de não querer escutar os questionamentos que vem a seguir: “Tô precisando tanto de uma dietinha, me ajuda?”, “Quantas calorias tem um prato de macarrão?”, “Nossa, você deve ficar avaliando o que a gente come no almoço né?”. Não, não e não.

Formar-se nutricionista é carregar, para o resto da vida, o fardo de ser visto como uma calculadora biológica ambulante. Já perdi as contas de quantas vezes na vida me perguntaram qual era o valor calórico de um alimento, ou se era melhor cortar o suco de laranja do café da manhã. Tudo bem, as perguntas que chegam até ai não são um problema, faz parte do dever de ser formado em nutrição (apesar da gente não saber de cor os valores calóricos de todos os alimentos do supermercado, da mesma maneira que um químico não sabe todas as informações da tabela períodica e os advogados não sabem citar todas as leis). O problema esbarra no pedido, muitas vezes ingênuo, que vem a seguir: “Faz uma dieta pra mim?”. Amigo, se você não é nutricionista, mas tem um conhecido que trabalha nesta área, preste muita atenção no que vou lhe dizer agora: montar uma dieta não é tão simples o quanto parece.

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Fonte: Diário de um Nutricionista

Resolvi escrever este texto-desabafo há poucos dias, quando ouvi, num intervalo de uma única semana, cerca de seis pedidos para montar dietas. “Isto é ótimo”, vocês diriam. Concordo, seria ótimo se estes pedidos não fossem para “dar uma ajudinha gratuita” a um colega que quer perder peso, afinal, “não custa nada né”? Custa. Custa muito, e vou lhe contar porque. Da mesma maneira que você se formou engenheiro, médico, biólogo, artista, advogado, publicitário ou qualquer outra coisa, o nutricionista também estudou para chegar ao título de bacharel na área. São pelo menos quatro anos de curso, com mais alguns anos de pós graduação, mestrado e até doutorado para quem seguiu carreira acadêmica. Por mais que eles possam ter sido realizados em universidades públicas, este tempo custou dinheiro, investimento em livros, em horas de estudo e em estágios, muitas vezes voluntários, nas múltiplas áreas de nutrição clínica e produção. Quando nos formamos, e seguimos a carreira clínica, o nosso trabalho é sim fazer dietas. E dá trabalho ouvir todas as queixas do paciente, entender todas as suas restrições alimentares, calcular sua necessidade nutricional e descobrir o valor calórico das suas refeições diárias. Não se esqueça que, além disto, temos que montar um cardápio que se adeque a seu hábito de vida, seus horários e que tenha uma enorme lista de substituição de alimentos, para que você não canse de sua rotina alimentar. Não, não é só puxar uma fórmula mágica que se encontra na gaveta do seu consultório. Você com certeza não trabalha de graça (ou se trabalha, não gosta disso). Pois é, nós também não. E montar a sua dieta não vai nos tomar somente a uma hora de duração da sua consulta. Dependendo da complexidade do caso ela pode tomar noites e mais noites da nossa rotina em casa.

Mas não quero dizer, através deste texto, que não fazemos alguns serviços de graça. É claro que acabamos caindo nesta tentação logo que formamos, para ajudar um familiar ou um amigo próximo, ou até mesmo para nos auto-promover,, e nos disponibilizamos para fazer algo muito legal. E logo quando você dá a primeira orientação, para que a pessoa monte um recordatório alimentar de três dias, para que você entenda onde é possível melhorar a alimentação, é possível ouvir a primeira restrição: “Ah, mas eu não sei”, ou a famosa “ah, você não precisa disso né? É só uma dietinha”. Realmente, é só uma dietinha. E é por este motivo que nós, nutricionistas formados, pós graduados, mestres e doutores estamos aceitando ganhar mixaria para trabalhar em hospitais ou clínicas, ou não conseguimos cobrar mais de R$100,00 em uma consulta sem ser chamados de mercenários: porque não é dado o devido valor ao trabalho que é reeducar a alimentação de alguém.

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Fonte: Indiretas do Bem

Nunca me esqueço da frase que uma vez ouvi de uma professora, ainda na faculdade: “Nunca deem de graça o único talento que vocês podem vender”. Fazer dietas é nosso talento. Pode parecer pouco? Talvez. Mas para nós é muito, é trabalhoso e valioso. Por este motivo, estudantes de nutrição, nunca entreguem de graça um trabalho que é seu, por mais que lhe obriguem; nutricionistas, não tenham medo de mostrar seu preço, o valor justo é o valor de seu investimento; pacientes e clientes, valorizem o profissional que você escolheu para te atender, ele é especialista em tratar o seu problema; e por último amigos, colegas de trabalho e familiares, respeitem o trabalho do nutricionista. Se você teve a oportunidade de ganhar um plano alimentar de graça, usufrua o máximo dele – ele não é uma “dietinha de gaveta”, mas sim um documento extensamente trabalhado para sua saúde. Se você não teve esta sorte, por favor, não insista – se você realmente valoriza o trabalho deste profissional, aceite pagar para receber algo que lhe dê resultados reais.

Não espero que este texto consiga mudar o pensamento de ninguém. Nem mesmo de nós nutricionistas. Só espero que tenhamos a consciência de que, para mudar este cenário, primeiro precisamos nos unir para mudar o que nós mesmos pensamos do nosso trabalho.

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Médicos britânicos testam dietas da moda

Na onda das dietas da moda dois irmãos britânicos, que também são médicos, encararam um desafio alimentar que foi registrado pelo canal BBC 2. No documentário “Sugar vs Fat” (ou Açúcar versus Gordura), os irmãos resolveram seguir duas das mais famosas dietas da moda. Alexander fez a conhecida “dieta da proteína“, retirando todo o carboidrato de sua alimentação e Chris ingeriu o mínimo de gordura possível (escolhendo alimentos com até 2% de gordura na composição). Como são gêmeos o estudo se torna ainda mais interessante por podermos relevar a influência de fatores genéticos no período em restrição alimentar.

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Como resultado ambos tiveram redução de peso corporal, sendo que Chris (o de restrição de gordura) perdeu um pouco a menos que seu irmão, que restringiu carboidratos. Mas o que torna o estudo importante são os relatos dos irmãos sobre como se sentiram durante o período dietético: Alexander afirma que se sentia frequentemente cansado e sem fôlego para simples atividades físicas, além de queixar de dores de cabeça intermináveis. Em um teste de raciocínio feito com os dois irmãos com um similador de ações para ganhar dinheiro Chris foi pelo menos três vezes mais eficaz que o irmão, o que reforçaria que a falta de carboidrato também prejudica o desempenho mental do indivíduo. Em compensação Chris, apesar de não relatar cansaço, queixou se sentir insaciável, tendo que buscar por todo o tempo algo para beliscar.

O mais interessante foi o resultado dos exames de sangue que mostraram que Alexandre utilizava sua musculatura corporal como uma das fontes para produção de energia, devido a falta de carboidrato, podendo justificar a queixa de seu cansaço extremo, e para Chris as taxas de açúcar sanguíneo aumentaram significativamente, provavelmente por causa de sua busca por saciedade constante.

A conclusão dos dois médicos foi que o ganho de peso não está relacionado exclusivamente com o consumo de gordura ou carboidratos, mas sim de uma associação entre o excesso da ingestão dos dois alimentos. A moderação é sempre a chave para se manter bem!

Para os curiosos de plantão a notícia original se encontra no site da BBC.

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