Dica de Leitura

No feriado de páscoa, fui apresentada ao livro Escoffianas Brasileiras. É um livro do Chef Alex Atala, dono dos restaurantes D.O.M – de gastronomia brasileira, e Dalva e Dito – ambos localizados em São Paulo / SP.
Estava num jantar onde vi o livro em cima da mesa. Li o nome Alex Atala na capa e logo abri para dar uma olhada. O chef de cozinha dono do livro (e uma das grandes inspirações para eu aprender a cozinhar) disse: “esse livro, você tem que ter”. E comecei a folhear e ler algumas páginas – digo folhear não por preguiça, mas é que o livro tem mais de 500 páginas. Logo no início, uma frase me chamou atenção: “Sou um chef, mas me orgulho mesmo é de ser um ótimo cozinheiro”. Após ler essa frase, percebi que muita coisa legal iria aparecer naquela bíblia, cheia de histórias, receitas e fotografias de babar (literalmente!).
O livro é dividido em três partes: aprendizado, sonho e realidade – todos com receitas ligadas a cada conceito. O mais interessante é que encontramos desde receitas elaboradíssimas, desde o famoso Macarrão Alho e Óleo (com dica de saber qual o ponto bom do alho) até receita de arroz, feijão e picadinho – para quem não sabe, Alex Atala é um grande fã do bom arroz com feijão e da comida brasileira em geral.
O nome Escoffianas é uma mistura das Bachianas Brasileiras (música de Villa Lobos) com Escoffier (sobrenome do conhecidíssimo Chef de cozinha Auguste Escoffier) – mais uma das misturas incríveis e saborosas de Alex Atala.
Quem ama cozinha – quem ama por apenas amar, quem ama cozinhar, quem ama comer, quem ama ler sobre culinária – tem que ter o livro. E prometo que assim que conhecer o restaurante, conto para vocês.
Até a próxima!!!

1001 comidas para comer antes de morrer


Mais um livro da coleção 1001, o “1001 comidas para comer antes de morrer” já é um sucesso para aqueles que adoram culinária.

Ele não lista pratos, e sim ingredientes e alimentos que devem ser provados e utilizados por qualquer admirador da gastronomia mundial.
O batata frita vai listar alguns alimentos nos próximos dias, com curiosidades fornecidas por este livro. Mas se você já está curioso, vale a pena comprar!

Chocolate

Ainda como parte de nosso Especial Chocolate/Páscoa, vejam que delícia de texto:

ALEXANDRE DUMAS

O texto abaixo é do Grande Dicionário de Culinária Ilustrado, de
Alexandre Dumas, publicado pela primeira vez em 1873

” Dizem que a palavra chocolate tem sua origem em duas palavras mexicanas : choco, som ou barulho e atle, água, porque o povo mexicano o bate na água para escumá-lo. As damas do Novo Mundo são loucas por chocolate.”

“Conta-se que, não contentes em o degustarem em casa o dia inteiro, às vezes o levam para a igreja, sensualidade que lhes atraiu a censura e as críticas de seus confessores, os quais, porém, acabaram tomando o partido delas, desviando seu interesse para outras coisas, pois estas damas faziam a gentileza de lhes oferecer uma xícara de tempos em tempos, convite que não declinavam.

“Enfim o reverendo padre Escobar, cuja metafísica era tão sutil quanto sua moral conformista, declarou formalmente que chocolate com água não quebrava em absoluto o jejum, proclamando assim, em benefício de suas belas penitentes, o antigo adágio : Liquidum non frangit jejunium [O líquido não infringe o jejum].”

“Importado para a Espanha no século XVII, o hábito do chocolate popularizou-se instantaneamente. As mulheres, e sobretudo os monges, adotaram avidamente esta bebida nova e aromática, e o chocolate virou moda. Os costumes não mudaram sob esse aspecto, e ainda hoje, em toda a Península, é de bom tom oferecer chocolate em todas as ocasiões em que a polidez exige certa delicadeza, e isso em toda a parte e em todas as casas respeitáveis.”

” O chocolate atravessou os montes com Ana d’Austria, mulher de Luís XIII, que foi a primeira a importá-lo para a França, onde, sempre com a ajuda dos monges franceses, a quem seus confrades da Espanha enviavam amostras de presente, também virou coqueluche. No início da Regência, convencionara-se cada vez mais que o café, igualmente recém importado, era uma bebida de luxo e de curiosidade, ao passo que o chocolate era considerado, muito compreensivelmente, de resto, um alimento saudável e agradável.”

“Brilliat-Savarin, em seu excelente livro sobre os Clássicos da mesa, recomenda o chocolate como uma substância tônica estomáquica e mesmo digestiva. Afirma que as pessoas que o consomem gozam de uma saúde constantemente estável, e fala do chocolate com âmbar como excelente para as pessoas cansadas por um trabalho qualquer.”

Aproveitando a dica de livros…


Para quem gosta de crônicas, alimentação e amor o livro “Paixão Emagrece, amor engorda” de Sonia Hirsch é uma boa pedida.

A autora une, histórias, receitas e uma pitadinha de emoção em um livro curto e gostoso de ler, e ainda deixa claro porque o amor engorda e a paixão, emagrece…

Dica de livro: A Não Dieta dos Franceses

O livro A Não Dieta dos Franceses – lançado pela editora Campus, do fisiologista americano Will Clower já está no mercado há um temp, porém pode ser considerado o “queridinho” entre os profissionais da área. O livro discute porque os franceses são, na sua maioria, magros comendo “a melhor comida do mundo”. Basicamente, os franceses sentem prazer em comer, dispensam facilmente comida industrializada e passam horas fazendo suas refeições – uma boa tríade para se manter com bom peso. Um livro de fácil leitura, uma viagem pela gastronomia francesa (até para quem nunca foi a França).
Mas é bom lembrar que o livro não substitui o profissional, mas ajuda aqueles que já iniciaram sua reeducação alimentar e incentiva os que ainda estão querendo fazê-la.
Boa leitura e bon appétit

Gastronomia e ciência?

Existe relação entre gastronomia e ciência? Sim, existe. E não só na nutrição, mas também na física e na química. Para aprender (e muito) sobre esse mundo, vale a pena ler o livro Um cientista na cozinha.

O dono da obra é Hervé This, um francês físico e químico, e apaixonado pela gastronomia. This estuda a ciência dos alimentos aplicando a ciência molecular. Para aumentar a fome de ler os livros do “cientista chef”, é bom saber de alguns feitos deste: ele já desenvolveu receitas de mousses e maioneses sem ovos, explica a fisiologia do gosto e até indica novas tecnologias transformadoras de velhos procedimentos.

A revista Scientific American Brasil lançou em outubro de 2007 uma coleção de 3 volumes sobre Hervé This e os fudamentos da gastronomia molecular, com reportagens que falam desde o nascimento da gastronomia molecular, passando pela bioquímica do vinho, chegando até a fritura sem gordura (para saber mais, visite o site da revista www.sciam.com.br).

Hervé This consegue nos fazer mais apaixonados com gastronomia.

CONTO

A GORDA INDIANA
Mia Couto *
– Quero ser como a flor que morre antes de envelhecer.
Assim dizia Modari, a gorda indiana. Não morreu, não envelheceu. Simplesmente, engordou ainda mais. Finda a adolescência, ela se tinha imensado, planetária. Atirada a um leito, tonelável, imobilizada, enchendo de mofo o fofo estofo. De tanto viver em sombra ela chegava de criar musgos nas entrecarnes.
A vida dela se distraia. Lhe ligavam a televisão e faziam desnovelar novelas. Modari chorava, pasmava e ria com sua voz aguçada, de afinar passarinho. Nos botões do controlo remoto ela se apoderava do mundo, tudo tão fácil, bastava um toque para mudar de sonho. Rebobinar a vida, meter o tempo em pausa. Afinal, o destino está ao alcance de um dedo. Modari, de dia, nocturna. De noite, diurna. No ecrã luminoso a moça descascava o tempo.
Tanta substância, porém, lhe desabonava a força. A gorda não se sustinha de tanto sustento. Não tinha levante nem assento. Desempregada estava sua carne, flácido o corpo em imitação de melancia recheada.  Uma simples ideia lhe fazia descair a cabeça. Já a família sabia: se a ideia era bondosa descaía para o lado esquerdo.Ideia má lhe pesava o ombro direito.
Em abono da estória se diga:ela se sujava ali mesmo, em plenas carnes. À hora certa, um empregadolhe vinha lavar. Despia a moça e lhe pedia licenças para passar toalhas perfumadas pelas concavidades, folhos e pregas. Lhe pegava, virava e desfraldava com o esforço do pescador de baleia. Depois, lhe deixava assim, nua, como uma montanha capturando frescos. Por fim, lhe ajudava a vestir uma combinação leve, transparente. O empregado nem era delicado. Mas ela se amolecia com o roçar das mãos dele. E adormecia, controlo remoto na mão.
Para não definhar, longe das das vividas vistas, lhe abriram uma janela no quarto. Partiram a parede, levantaram tempestades de poeira. Impossível de ser deslocada, cobriram a gorda com um plástico. Modari espirrava em soprano, mais aflita com o aparelho televisivo que com seus pulmões.
Certo dia ali chegou um viajeiro. O migrante lhe trouxe panos, cores e perfumes da Índia. Era um homem sóbrio, sozinhoso. Ele a olhou e, de pronto, se apaixonou de tanto volume.
-Você tem tanta mulher dentro de si, que eu, para ser polígamo, nem precisava de mais nenhuma outra.
O homem amava Modari mas tinha dificuldade em chegar a vias de facto. Com paixão 
ele suspirava:”se um dia eu conseguir praticar-me com você!…”. Mas ele devia atravessar mais carne que magaíça mineirando nas profundezas.
– De hoje em diante não quero nenhum empregado mexendo em você.
Ele mesmo passou a lavá-la. Modari se tornou muito lavadiça e o homem lhe enxugava, aplicava pós medicinais, esfregava com loções. Foi num desses lavamentos que o acto se 
consumou. O visitante lhe empurrou as pernas como se destroncasse inbondeiros. Fizeram amor, nem se sabe como ele conseguiu descer tão fundo nas grutas polposas dela. Modari, a seguir, se sentiu leve. Controlo remoto na mão, ela entç~
ão tomou consciência que, em nenhum momento do namoro, havia largado a caixinha de comando da televisão. Assim como estava, besuntada de transpiros, fêz graça:
– Meu amor, você prefere quê: entalado ou enlatado?
Ela se encontrava tão ligeira que expeirimentou levantar o braço. E conseguiu. deliciada, ficou marionetando os dedos no alto. Na noite seguinte, voltaram a fazer amor. E nas restantes noites também. Então, Modari se deu conta que, de cada vez que amava, ela emagrecia aos molhos vistos. Passados dias, já Modari se levantava da cama e ensaiava uns passos na ampla sala. O amante, reiquintado, pareciamais insatisfeito que abelha. Amava que desunhava. seu coração sofria de acesso de excessos. 
Um mês depois, Modari até dançanva. Esbelta, desenhada a osso e linha. Centenas de quilogramas se haviam evaporado, vertidos em calor e nada. Modari se ocupava em reduzir saris, apertar vestidos, acrescentar furos no cinto. A família, no início, se contentou. Mas , com o tempo, deixaram de celebrar aquela mudança. Modari se escaveirava, magricelenta. Das duas nenhuma: ou ela estava doente ou amava em demasia.
Demasia?
Modari rejeitou o conselho. Que amor é como o mar: sendo infinito espera ainda em outra água se completar. Não abrando, gritou ela. E foi falar com seu homem que complacentou: amar-se-iam sempre, mas ela que deixasse na cabeceira o controlo remoto. Pelo menos durante o enquanto. entre risos e lábios se entrelaçaram. Pela primeira vez, nessa noite Modari sentiu o morder da ternura. O sabor do beijo resvala entre lábio e dente, entre vida e morte. Lâmina e veludo, qual dos dois no beijo a gente toca? Asfixiação boca a boca: isso é o beijo.
No dia seguinte, Modari, minusculada, dispensava peso. Nunca se viu mulher em estado de tal penúria de carne. A ponto de seu amante ter medo:
– Não Moadri, não lhe devo tocar, seu corpo já não dá acesso ao amor.
Modari sorriu: o seu amante receava que ela moresse? Lhe apeteceu responder que, por causa do amor, ela estava vivendo, ao mesmo tempo, infinitas vidas. Para morrer, agora, seriam precisas infinitas mortes. Em vez disso, perguntou:
Não lembra, que antes, eu desejava ser flor? Pois, me responda: não lhe sou perfumosa?
Ele lhe pegou as mãos como que se colectasse coragem. E anunciou que, em sendo outro sol, ele deveria seguir comprida viagem.
– Amanhã, meu namorzinho.
Modari se afastou, crepusculada. Ficou assim, ocultada, despresente. O homem pensou que ela estivesse lagrimando. Súbito, porém. ela se voltou, operando risos. Agitando o controlo remoto na mão desafiou:
Venha apanhar este seu rival. Venha seu ciumento !
Ele a tomou nos braços e a acarinhou, cedido, sedento. Os que beijam são sempre príncipes. No beijo todas são belas e adormecidas. Como que dormida, a indiana se rendeu. No fim, o homem olhou surpreso os seus próprios braços. Não havia nada, ninguém. Modari se extinguira. Seu corpo saíra da vida dela, o tempo se exilara de sua existência. A indiana se antigamentara. O homem ainda escutou, algures na sala, tombar a caixinha do controlo remoto.


PARA LER E REFLETIR

* Mia Couto nasceu na Beira, Moçambique em 1955. Foi jornalista. É professor, biólogo, escritor. Está traduzido em diversas línguas. Entre outros prêmios e distinções foi galardoado, pelo conjunto de sua já vasta obra com o prêmio Vergílio Ferreira 1999.
Mia tem vários livros publicados no Brasil – recomendo a sua leitura.

O Pedante na Cozinha – Editora Rocco (2008)

Você, que é cozinheiro amador, já se pegou perguntando qual é afinal o tamanho de uma cebola média, ou quanto é uma pitada de sal ? Já perdeu seu tempo comprando um monte de tranqueiras, fundamentais para qualquer cozinheiro, e que você nunca usou ? Então este é seu livro. Julian Barnes, nos conforta, com uma prosa agradável e de fácil leitura – nós não estamos sós! Avante pedantes da cozinha, continuemos nossa em missão de bagunçar a cozinha, preparando pratos cada vez mais sublimes.

Cotação : ****

Link para compra: Livraria da Travessa
Preço: R$ 19,36

escritopor2mauro

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: