Sobre a merendeira da Flor Gil e o fascismo nutricional

Tem muito tempo que não escrevo por aqui, não é mesmo? E nada melhor do que voltar ao Batata Frita com uma polêmica que tem esquentado o universo das redes sociais (e, em especial, a minha timeline).

Posso estar um pouco atrasada no timing, mas acho que ainda não consegui me expressar muito bem sobre o frisson que foi causado pela divulgação da foto da merendeira da filha da chef Bela Gil (a fofinha Flor Gil) no último dia 21 de maio.

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Eu acredito que, quem me conhece, ou que acompanha minhas opiniões no Batata Frita, sabe o que eu penso sobre o tipo de alimentação que a Bela Gil ensina no canal GNT (programa que eu citei e até elogiei nesse post aqui) e que ela mesma pratica no seu dia a dia. Sempre acreditei que qualquer tipo de restrição alimentar, seja ela para o bem o para o mal, é uma prática prejudicial. Não me importa se você está restringindo o glúten para perder peso, ou eliminando a gordura saturada da sua rotina para melhorar o seu perfil lipídico – para mim, se você tem algum problema de saúde relacionado com a qualidade da sua alimentação, esse problema está na maneira como você se relaciona com a sua comida, e não com o alimento em si (a não ser que, é claro, você tenha algum problema clínico que te impede de ingerir algum nutriente, como a Doença Celíaca ou a Alergia ao Leite).

Eu explico.

Me irritei profundamente com o post da Bela Gil sobre a merendeira de sua filha. Mas não porque ela estava ensinando a filha a comer somente produtos naturais preparados de maneira saudável (até porque, nesse ponto, ela está certíssima), mas sim com o fato dessa prática, de levar batata doce e água para a escola, ser considerada por ela como a única relacionada como uma alimentação saudável para uma menina da idade da Flora Gil.

Vivemos em uma época de tanto fascismo nutricional (obrigada pelo termo Nat Mazoni!) que agora querer preparar um suco de frutas natural para seu filho levar na merendeira para a escola, acompanhado de um sanduíche natural de pão integral com queijo e tomate, é uma falha grave. E que, ocasionalmente, oferecer uma bolacha integral comprada no supermercado, é considerado caso de polícia.

Acho que temos que parar por ai. A gente parece não perceber, mas são nessas pequenas ações isoladas que muitas pessoas (em especial as mais influenciáveis) podem começar a cometer alguns deslizes – e a criar relações desequilibradas entre a sua alimentação e seu psicológico.

Longe de mim tentar ensinar a Bela Gil como alimentar a filha dela, ou a criticar o que ela segue como premissa para alimentação saudável (afinal, se ela realmente é nutricionista, deve saber o que está fazendo), mas posso sim deixar minha opinião sobre esse assunto. Quando me posicionei contra a atitude de mandar uma garrafa de água e algumas fatias de batata doce para sua filha como merenda da escola, eu queria deixar claro para as pessoas que confiam no meu trabalho como nutricionista que esse tipo de atitude, ao meu ver, não é o único que pode ser considerado normal e saudável. Veja bem, a Bela Gil segue uma premissa de alimentação chamada de macrobiótica, onde alguns alimentos e ingredientes (como o leite e o glúten) não são consumidos na sua rotina. Isso significa que você e seu filho precisam ser macrobióticos para manterem uma alimentação saudável? É claro que não.

Acho que as vezes nos esquecemos que a alimentação deve ser uma fonte não somente de nutrição, mas também de prazer para nossos filhos (e tudo bem, eu entendo que aquele lanche pode ser prazeroso para a pequena Flor Gil. E se for, fico tranquila!). Eles também vão se relacionar com seus amigos, familiares, colegas de escola e de trabalho, ao longo da vida, em frente a uma mesa de almoço, ou uma bancada de bar e se não aprenderem a conviver com todo e qualquer tipo de alimento disponível para consumo desde pequenos, como vão evitar que a sua relação com as refeições não sejam construídas da maneira errada? O que existe de errado em provar certas coisas, desde que você saiba o que pode ser ingerido todos os dias e o que não pode?

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Muita gente vai discordar do que eu defendo aqui desde sempre (e não somente nesse texto) e eu não ligo. Acho que o diálogo sobre a alimentação deve ser aberto, para que cada um possa encontrar a sua melhor maneira de se relacionar com sua própria comida. Isso não me impede, entretanto, de tentar colocar aqui na internet uma opção de conduta que não seja tão radical para alcançar um estilo de vida e alimentação saudável, para as mães que talvez não tenham o tempo (ou o dinheiro) para comprar um produto orgânico para seus filhos levarem para a escola. Eu acho sim que é possível ser muito saudável comendo de tudo (inclusive um biscoito recheado de vez em quando) e acho também que as crianças devem participar dessa “inclusão”. Esta sou eu.

“Mas Marina, você está me aconselhando a dar comida industrializada e enriquecida de vitaminas para meus filhos?” Não, não! Longe disso. Só quero dizer que ele comer isso ocasionalmente, em uma festinha de aniversário, ou no lanchinho em um final de semana, não é problema algum.

A base da alimentação do seu filho deve ser SEMPRE pautada na ingestão de alimentos e refeições 100% naturais. O que eu não quero é que você se sinta uma péssima mãe, ou um péssimo pai, porque teve que mandar um pão com requeijão de lanche para seu filho, ao invés de algumas rodelas de batata doce. Lembre-se, a Bela Gil não é o padrão de uma alimentação saudável para o seu filho. Se você tem um pouquinho de bom senso (e eu sei que tem), e sabe separar o que é saudável do que não é, você vai criar o seu próprio padrão de educação alimentar para suas crianças. A escolha é sua (assim como a obrigação de educar também!).

Para finalizar, respeito a opinião da Bela Gil e a maneira como ela cria sua filha e se relaciona com sua alimentação. Se elas estão felizes e são saudáveis assim, isso é um grande mérito delas e eu não estou no direito de questionar essa boa relação. Essa só não será a minha opção de conduta alimentar quando eu tiver os meus filhos. Estou errada? Talvez um dia a ciência me prove isso. Mas posso dizer que eu fui criada com a mesma “liberdade nutricional” por meus pais, e sempre fui incentivada a comer de tudo (inclusive as besteiras de vez em quando) e isso não me torna uma pessoa menos saudável que elas. Pergunte aos meus médicos e tire a contra-prova! 😉

Em tempos de intolerância política, religiosa e comportamental, não queremos também criar a intolerância alimentar (e não estamos falando de intolerâncias clínicas como ao glúten ou ao leite). Acredito que devemos sempre conversar a respeito da nossa alimentação e de como podemos tornar esse hábito mais saudável e sempre prazeroso.

Como você se relaciona com a sua comida e como passa esses ensinamentos para os seus filhos? Deixe seu comentário sobre esse assunto!

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Eu comi uma crepioca ontem (e gostei!)

Pensei em escrever esse texto logo após terminar um saboroso prato de crepioca que meu marido fez para mim no jantar ontem a noite. Crepioca, para quem não sabe, é uma receita de omelete com tapioca, que foi criada para se adequar as múltiplas orientações de quem quer ter uma vida e uma alimentação mais fitness. Naturalmente, como vocês bem me conhecem, eu torceria o nariz para introduzir esse tipo de preparação na minha dieta, mas confesso que me surpreendi ao colocar o primeiro pedaço da crepioca na boca. Essa surpresa que motivou minhas reflexões abaixo.

O universo da nutrição se tornou um ambiente tão cheio de “achismos” e “modismos” que atualmente vivemos em uma batalha constante entre os que acreditam em tudo que a mídia fala, contra os que defendem a prática de uma alimentação mais normal (eu me encaixo aqui!). Essa batalha, apesar de válida em muitos momentos, tem nos tirado um dos maiores benefícios da curiosidade humana: a possibilidade de experimentar novos sabores.

São tantas receitas fitness ou emagrecedoras que são divulgadas para ajudar a perder aqueles quilinhos indesejados, que nós esquecemos de perceber que muitos desses pratos são muito mais do que alternativas nutricionais para alcançar o objetivo desejado: elas são experiências gastronômicas muito interessantes. É claro que eu não estou falando aqui do brigadeiro de whey protein, ou do smoothie feito com albumina, mas sim das receitas que usam ingredientes que são naturais, mas que tem sido classificados como fitness por causa desse modismo maluco que atinge os nossos hábitos alimentares (sim, eu estou falando da tapioca).

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Imagem: Na Mira

Pego como exemplo a própria crepioca. O omelete é um delicioso prato, rico em proteínas animais e gorduras benéficas para a nossa saúde. A adição da tapioca no seu preparo, além de enriquecer o alimento com boas doses de carboidrato, dá ao omelete uma textura diferente, que lembra muito um crepe (dai o nome “crepioca”), transformando a experiência em consumir o omelete em algo completamente diferente. Outro bom exemplo é o suco verde. Eu sou contra quem usa esse suco para poder seguir rotinas detox e aumentar a eliminação de toxinas do corpo (aliás, ainda não descobri quais são essas toxinas tão perigosas que meu corpo produz e que o suco verde elimina. Se vocês descobrirem me contem!), mas sou a favor de quem consome essa bebida porque gosta do sabor e porque valoriza a mistura de nutrientes que ela oferece.

O que estou querendo dizer com toda essa reflexão é que, talvez, nós nutricionistas devemos baixar a guarda nesta batalha do “certo ou errado”. Se seu paciente quer comer um pote de iogurte por dia com uma colher de sopa de Goji Berry, qual seria o problema? Se ele gosta do sabor, está satisfeito e está se mantendo saudável assim, o Goji Berry não é o problema. Precisamos ensinar nossos pacientes a escolher melhor seus objetivos na hora de comer os alimentos, e não necessariamente escolher os seus alimentos porque isso ou aquilo “cientificamente não funciona”. Se o objetivo final do seu paciente é viver bem e com prazer, porque não permitir que ele coma sua crepioca? Ou sua panqueca de banana? Ou seu pão com manteiga de amendoim? Ou a sua tapioca com queijo? Essas receitas são tão saborosas, e nutritivas, quanto o nosso tradicional prato de arroz com feijão, ou qualquer outra sugestão feita por vários nutricionistas espalhados pelo país.

Quando nos tornamos menos resistentes a essas “novidades” do mercado, e aprendemos a apreciar seu valor em uma alimentação equilibrada e não restritiva, nós ganhamos a confiança do nosso cliente, e também aprendemos a abrir nosso coração para outras opções de pratos e alimentos extremamente saborosos.

Obs1: Sim, vou adicionar a crepioca ao meu cardápio semanal, especialmente por sua praticidade.

Obs2: Não, eu continuo sendo contra a ingestão de receitas elaboradas com isolados de proteína e seus derivados fitness.

Obs3: Esse texto não justifica a prática de uma dieta glúten free ou lactose free por indivíduos que não apresentam, respectivamente, doença celíaca ou intolerância à lactose.

Obs4: Aceito sugestões de receitas sempre!

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A medicalização do dia-a-dia

Crônica originalmente escrita por Mauro Kleber no blog Raras Ideias

A partir de um excelente artigo de Jorge Quillfeldt *: A Medicalização da Vida, publicado na Scientific American brasileira , passo a discutir alguns fatos médicos que me têm deixado um pouco preocupado: o excesso de diagnósticos, na área médica, incluindo aí o campo da nutrição clínica, campo em que esta prática tem se mostrado extremamente exagerada e desastrosa.

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Como cita Quillfeldt em seu artigo, (1)  “Pessoas saudáveis são pacientes que ainda não sabem que estão doentes”. A afirmação foi feita por um personagem de uma peça teatral satírica (2) : Na peça, um médico ambicioso, o Dr. Knock, chega em uma pequena cidade do interior da França – St.Maurice, para suceder ao Dr. Parpalaid, um médico íntegro e honesto, mas que tinha poucos pacientes. O estado de saúde da cidade era excelente, e o Dr Knock, sem ter o que fazer resolve convencer a todos da cidade de que eles estão doentes. É então que ele usa a frase supracitada. O resultado é imediato. Toda a população é colocada em casa, acamada, o hotel é transformado em uma clínica e até mesmo o Dr. Parpalaid, que retorna temporariamente ao vilarejo, fica preocupado com a sua saúde e é internado peloDr.Knock.

Parece incrível, mas hoje, quase 100 anos após a peça ter sido escrita (3) , a profecia ou a prática do Dr. Knock, vem se tornado uma prática rotineira no meio médico mundial. Não há dúvida que houve grandes avanços na medicina nos últimos anos, mas com isto veio o exagero, e a medicalização de temas, que embora tenham a ver com a saúde, às vezes não são estritamente médicos. Quillfeld define medicalizar como “passar a definir e tratar algo como um problema médico ou direcionar conhecimentos e recursos técnicos (grifo meu) da medicina para tratar algo que antes não era abrangido por esta área”.

Segundo o autor, a facilidade tecnológica em detectar novas patologias (como o autismo) e reinterpretar outras (como a histeria), pode facilitar que novas doenças possam ser criadas, quando situações normais acabam tidas como doenças. Sou testemunha do quanto isto tem sido frequente no consultório, notadamente no que diz respeito a condições como intolerância à lactose ou ao glúten, por exemplo. Quando eu era criança não conheci nenhum de meus amigos, com os lábios lambuzados de leite, o pão empanturrado de manteiga e queijo, ou que comesse bolo quente roubado e que passasse mal depois. Quando muito sofríamos com uma palmada, ou éramos alertados com o aviso de que bolo quente pode fazer mal para a saúde. Ninguém era intolerante à lactose ou ao glúten. O que aconteceu? As técnicas diagnósticas estão melhores, mas porque não tínhamos diarreia ou intolerância? Mudamos nós, ou mudaram os alimentos, ou os médicos. Esperamos discutir estas e outras dúvidas nos próximos posts.

Mas fiquemos, por enquanto, só com a medicalização. Há exemplos diversos: desde a pílula anticoncepcional, que proporcionou uma revolução sexual, até os antissépticos bucais, que terminaram com o mau hálito, a remédios para calvície, para síndrome das pernas inquietas, para timidez , para falta de concentração, uma epidemia infantil, hoje tratável com a quase onipresente ritalina, para a tristeza, via antidepressivos e até para o envelhecimento, como os medicamentos para a disfunção erétil e para a deficiência de testosterona que combatem as temíveis diminuição da libido e a impotência, só para citar as menos bizarras. O importante é que há uma doença para cada um. Se você não está sentindo nada é porque ainda não fez o seu check up anual, ou semestral, com um Dr. Knock.

Mas qual o problema em ficar mais bonito, tentar ser jovem, fazer prevenção? Nenhum, não viessem estes procedimentos acompanhados de sofrimento psicológico com condições naturais ou fisiológicas, a perda da autonomia em tomar decisões básicas sobre sua vida e sua saúde (agora delegada ao médico) , ao fim da subjetividade, tanto por parte do médico, quanto do paciente, na análise de situações corriqueiras, ao aumento nos custos da saúde, que em última análise vai ser subsidiado por você mesmo, através do aumento das mensalidades de seu plano de saúde e dos impostos destinados a manter a boa saúde pública. Além disto há a iatrogenia – a consequência de um ato originado a partir de uma intervenção médica ou com o seu aval.

Hoje a pseudociência nada de braçada. A moderna medicina, baseada em evidências, é usada e abusada, como justificativa para a aplicação de técnicas ultramodernas, com resultados encorajadores, mas também abre espaço para a os enganadores, para a medicina alternativa , para o tratamento de exames ao invés de pacientes. Assim Dr. Knock assegura um lugar para cada um em seu hotel-hospital e duvido que você não conheça pelo menos uma pessoa que está agora, neste momento, sendo envenenada pelo glúten ou tendo sua saúde ameaçada por um copo de leite.

NOTAS:

[1] Scientific American Brasil,155:20,2015

* Neurocientista e divulgador de ciência. Licenciado em física, mestre em bioquímica e doutor em fisiologia. Professor titular de Departamento de Biofísica, IB/UFRGS. Coordenador da disciplina de exobiologia.

[2] Knock ou Le Triomphe de la medicine é uma peça escrita pelo escritor francês Jules Romains. Ela foi apresentada pela primeira vez em Paris no Théâtre des Champs-Élysées, no dia 15 de dezembro de 1923 e depois recebeu uma adaptação para o inglês pelo jovem Orson Welles, então com 16 anos, no Peacock Theatre, em Dublin. Há também duas adaptações cinematográficas da peça Knock ou Le Triomphe de la medicine, de 1933, dirigido por Roger Goupillières e Louis Jouvet e Dr Knock, de 1951, dirigido por Guy Lefranc.

[3] Para ser justo, Machado de Assis, em seu conto O Alienista, de 1882, já aborda tema semelhante, com relação à saúde mental

escritopor2mauro

Eu aceito!

imagesUltimamente tenho recebido ligações de casais querendo marcar consulta nutricional em conjunto. O que eu acho da ideia? Excelente! Não só a ideia, mas também os resultados são excelentes.

A maioria me procura para auxiliar a perda de peso e montar um plano alimentar que seja viável para os dois. Claro que emagrecer assim é bem mais fácil – a dieta de um se adapta a dieta do outro e o casal passa a se apoiar mais. Acredite ou não, fazer uma reeducação alimentar em conjunto, fortalece o relacionamento. Isso porque um apoia o outro, dá força, estimula e também reclama!

Além de tudo tem a parte divertida né? Fazer atividade física e cozinhar, deixa o casal ainda mais unido e mais feliz.

O processo de emagrecimento é extremamente difícil para certos indivíduos, e a falta de apoio em casa dificulta ainda mais. Imagina só, você lá tentando perder peso na saladinha com frango e o maridão pedindo aquela pizza de pepperoni e tomando uma cervejinha em plena terça feira! Ora, relacionamento não é desafio, e é aí que muitos pecam! No relacionamento a dois, aquele que está querendo ter uma vida mais saudável e muitas vezes precisa perder peso, deve ser apoiado ao máximo pela outra parte!

O marido ou a esposa que não apoiam a mudança de vida do outro, geralmente provoca, para ver se o parceiro (a) vai conseguir mesmo mudar. Mas não é de maldade, isto está no subconsciente, na dificuldade de aceitar mudanças (principalmente as mudanças para a melhor do parceiro). Afinal de contas sempre existe aquele “medinho” do outro ficar bem e começar a atrair olhares enquanto você fica lá, estagnado na mesma.

Muitos relacionamentos sofrem diante da situação do parceiro querer levar uma vida sedentária, se alimentar mal e não querer mudar por puro comodismo ou até mesmo medo de não conseguir atingir a expectativa do outro.

Tem até um livro que chama casais inteligentes emagrecem juntos! Eu ainda não li e espero ler em breve, o título me parece bem interessante e eu concordo muito com ele!

Então, o meu conselho para aqueles casais que pretendem procurar uma nutri para iniciar uma vida mais saudável é: vai fundo!

escritopor2gabriela

Uma nova modalidade – assustadora – de shakes alimentares: Soylent

Quando achamos que a indústria alimentícia está caminhando para o desenvolvimento de produtos e de uma alimentação mais, digamos, natural, ela vem e nos prega mais uma peça. Quando um amigo me enviou um link para visualizar um produto que chama Soylent, eu já podia imaginar que tinha algo estranho ai. Nada relacionado com a qualidade das escolhas do meu amigo, longe disto, mas sim com o fato de alguém querer a opinião de uma nutricionista sobre um produto novo (porque quando o saudável é óbvio, ninguém precisa perguntar). Mas, curiosa como sou, fui atrás das informações sobre o novo produto.

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O Soylent é, de acordo com as informações fornecidas por seu criador (que é um engenheiro de software chamado Rob Rhinehart), um composto nutritivo feito somente dos macro e micronutrentes que você precisa ingerir diariamente. A proposta do criador era substituir a comida (e a falta de tempo e de dinheiro) por algo que fosse rápido, prático e saudável afinal, de acordo com ele, em alguns momentos nós só precisamos nos nutrir. Aqui já eu deixo a minha primeira pergunta para refletirmos sobre consumo do Soylent: desde quando engenheiros de software entendem de nutrição? É muito fácil falar de nutrientes e quantidades que devem ser consumidas diariamente, mas e o resto? E a mastigação? A digestão? O prazer? Isso tudo faz parte de uma alimentação saudável, mas vamos discutir isto mais tarde.

Rob Rhinehart tem um blog, e em um de seus posts ele discute exatamente o porquê de ter decidido parar de comer comida e começar a viver somente de suplementação. Entre reflexões sobre a obesidade e a nossa dependência com o mercado alimentício atual, Rob chega a uma hipótese que ele resolveu testar: e se pudéssemos viver somente dos nutrientes dos alimentos (que é o que ele entende que realmente precisamos)? Depois de uma longa explicação e da elaboração de praticamente um estudo de caso sobre sua experiência de 30 dias comendo somente nutrientes, Rob explica a teoria do Soylent, e diz que está vivendo muito melhor assim.

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Fui na página do Soylent para entender a composição deste novo alimento. Posso afirmar que ele pouco me surpreendeu, lembrando muito os conceitos utilizados nos tradicionais shakes dietéticos como, por exemplo, o Herbalife, porém com duas características pouco atrativas: sua cor (que por ser uma mistura de nutrientes não passa de um pó marrom claro) e seu sabor (que eu não consegui identificar se ele trabalhou com algum aromatizante para facilitar o consumo). De acordo com as informações fornecidas pelo site do Soylent este composto alimentar é capaz de fornecer altas concentrações de carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais. Fiz as contas e pude perceber que uma porção do Soylent é capaz de oferecer 2094kcal, mas não entendi se elas devem ser consumidas todas de uma vez ou se o indivíduo deve fracionar o seu consumo. O site ainda é confuso e divulga poucas informações para o possível cliente, o que me faz ficar ainda mais insegura em relação a sua integridade nutricional.

Mas, como vocês sabem, o meu propósito aqui não é discutir as propriedades nutricionais do Soylent, ou nem mesmo explicar para vocês como ele pode ser introduzido em uma dieta saudável. Não. O que quero discutir aqui é um assunto que frequentemente chamamos a atenção no blog: o descaso com a outra função da alimentação. Não nos alimentamos só para nos nutrir. Se esta fosse a única consequência do nosso hábito de comer, nós facilmente nos adaptariamos a rações ou rotinas alimentares restritas e sem graça. Existe um motivo pelo qual sua barriga ronca quando você sente um cheio de um prato que você gosta, ou para você optar por comer a comida da sua avó do que almoçar no shopping: este motivo é o bem estar.

Eu sou destas pessoas que acreditam que comemos porque isto faz bem para a nossa cabeça. É um dos momentos de alegria diante de rotinas massantes, estressantes e pouco motivacionais. Além disto é em uma mesa de almoço ou de jantar que dividimos boa parte dos nossos momentos em família ou com amigos. Por isto é tão importante achar o equilíbrio entre o que comer e como comer. Produtos como o Soylent ou o Herbalife vão lhe manter nutridos, mas eles vão realmente lhe ensinar a viver melhor? Eles vão lhe permitir sentir o prazer de apreciar um prato bem feito? Eles serão servidos em uma reunião entre familiares ou amigos? Se todas as suas respostas para estas perguntas são “não”, então você entende o que eu estou falando.

A solução para os nossos problemas com a alimentação não depende de uma fórmula mágica: ela depende só da nossa força de vontade. Precisamos compreender e respeitar a nossa relação com a comida, já que só assim nosso organismo vai conseguir nos respeitar. O resto é consequência. O primeiro passo para desenvolver esta relação de respeito é passar longe de mais um produto que promete milagres nutricionais, e por este motivo eu acredito que o consumo de Soylent não merece nem ser discutido neste texto.

Sempre que algum produto ou alimento parecer milagroso demais para você, desconfie! E não se esqueça que o corpo ideal e a saúde em dia só são garantidos comendo comida de verdade! Na dúvida SEMPRE consulte um nutricionista!

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Ser fit ou ser saudável?

Você que decidiu mudar de vida e cuidar da sua saúde e do seu corpo, já decidiu se está em busca de uma vida saudável ou de uma vida fit? Não se esqueça que estes dois estilos de vida não necessariamente andam de mãos dadas por ai. Acho que é melhor ser mais clara: sim, é possível ser fit e ser saudável, assim como é possível ser saudável e não ser fit, mas não necessariamente ser fit é também ser saudável. Por mais complicada que esta frase possa ter soado para você, é exatamente disto que vou falar neste texto.

O mundo fitness criou uma incrível relação com um estilo de vida mais saudável e mais feliz, já que seus praticantes estão sempre por ai exibindo suas barrigas tanquinhos e suas dietas impecáveis por fotos nas mais diversas redes sociais que temos disponíveis. Quem é fit malha muito, toma suplemento, não come besteira e se orgulha muito de exibir os corpos definidos por ai, mas isto significa que estas pessoas são saudáveis? Veja bem, o conceito de saudável no dicionário Michaelis tem duas definições interessantes para esta palavra: a primeira diz “bom ou conveniente para a saúde”, enquanto a segunda diz “que dá alegria”. Isto para mim deixa bem claro o que eu, e algumas outras nutricionistas e médicos que seguem uma linha parecida com a minha, sempre dizemos em relação a uma alimentação saudável – ela deve ser capaz de te fornecer todos os nutrientes que você precisa, mas ela também precisa te fazer feliz. Não sei o quanto esta afirmação é clara para vocês, mas ela é muito óbvia para mim. A alimentação é um processo extremamente complexo que envolve muito mais do que a ingestão de nutrientes; ela também é relacionada com hábitos de vida e com o prazer.

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Com este conceito em mente, eu volto a falar do estilo de vida fit. Quantas destas pessoas que você vê exibindo suas formas e suas dietas restritivas nas redes sociais, são realmente felizes com o que comem e com o estilo de vida que levam? Eu posso contar nos dedos as que assumem estar completamente satisfeitas com o estilo de vida que optaram seguir (e mesmo assim acho que a grande maioria delas está mentindo para mim e para elas próprias). Já ouvi inclusive de grandes atletas de esportes como o fisiculturismo, que precisam do corpo para viver, que dietas restritivas são extremamente frustrantes e cansativas, e que quando eles podem acabam caindo na tentação de comer algo fora do programado. Vendo esta situação de perto, será que ser fit significa também ser saudável? Não quero nem entrar no mérito do consumo exagerado de suplementos alimentares, ou de práticas excessivas de algum tipo de atividade física, nem mesmo do uso ilegal de substâncias anabolizantes para alcançar a forma física perfeita. Estou aqui discutindo o único mérito que me cabe, que é a alimentação.

Ser saudável, na minha concepção, é um processo que envolve muito mais do que formas físicas e comer pratos de alface, batata doce e frango todos os dias. Se hoje temos índices cada vez mais altos de anorexia, vigorexia e até mesmo de obesidade é porque não entendemos mais qual deve ser a nossa relação com a nossa comida. Ou adoramos demais, ou condenamos demais, tornando-a vilã de uma situação que é mais simples do que parece ser. Entendo a importância da dieta restritiva para algumas práticas de esporte, e admiro o trabalho que muitos nutricionistas fazem nesta área, mas temos que concordar que um atleta de ponta está longe de ser um indivíduo saudável. Ele vive praticando exercícios em condições extremas, levando seu trabalho cardíaco e sua produção de radicais livres a níveis altíssimos. Um indivíduo saudável sabe equilibrar a prática de atividades físicas com suas necessidades nutricionais e, principalmente, com sua produção de prazer. Qualquer exagero é, na minha concepção, descartado para quem busca um estilo de vida saudável.

GoodHealthCartoon

Precisamos entender que se alimentar de maneira saudável envolve saber comer salada, batata doce e frango, mas também apreciar todos os outros tipos de alimentos, como os doces, as frituras e a bebida alcoólica, mesmo que seja de maneira bastante moderada. Exercitar-se de maneira saudável é saber fazer as atividades físicas no seu ritmo, de maneira que seu organismo consiga usufruir da queima de calorias e não se prejudicar com os excessos. Ter um corpo saudável é saber manter o percentual de gordura dentro dos níveis recomendados (18 a 28% para mulheres, 15 a 20% para homens) e a circunferência abdominal e do quadril nos padrões adqueados, e ter os exames de sangue com resultados safistafórios, e não se preocupar tanto com aquela gordurinha localizada nas costas ou na barriga que não fazem diferença nenhuma para a sua saúde. Viver de maneira saudável é saber fazer tudo que faz bem para a sua saúde, e se preocupar mais em ser feliz do que qualquer outra coisa.

E você? Quer ser saudável ou quer ser fit?

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