Batata Opina: Deficiência de vitamina D, ferro, cálcio e outros micronutrientes em adolescentes e gestantes

Em artigo publicado on line no Nutrition Bulletin no dia 07 de fevereiro de 2016, os autores R. Miller, Spiro e Stanner, chamam a atenção para o fato de que não apenas a obesidade tem se tornado um problema de saúde pública importante no reino Unido, mas também a ingestão inadequada de micronutrientes, por parte da população, ter trazido sérias preocupações às autoridades saúde pública locais.

 

Numa pesquisa recente, o estado de alguns biomarcadores nutricionais foi avaliado, entre eles o ácido fólico, a vitamina D, o cálcio, ferro e o iodo. Os grupos mais vulneráveis a uma ingestão inadequada destes micronutrientes incluem adolescentes, minorias étnicas e grupos de classes socioeconômicas menos favorecidas. Meninas adolescentes e mulheres em idade fértil formam grupo alvo de uma preocupação ainda mais intensa, porque habitualmente elas têm um requerimento maior de alguns micronutrientes específicos, e cuja carência pode ter sérios impactos em sua prole.

 

Os autores chamam a atenção que há, por parte dos consumidores, grande preocupação com a composição alimentar, no que diz respeito aos macronutrientes, mas relativamente pouca importância parece ser dada para a composição, à quantidade, e à densidade de micronutrientes presentes nos alimentos ingeridos. Assim, segundo os autores, é provável, por exemplo, que nos próximos anos, de um modo geral, o padrão de ingestão de micronutrientes se mantenha relativamente inalterado, mas alguns modismos como a diminuição na ingestão do leite (por causa da hoje onipresente intolerância à lactose) e do desestímulo ao consumo de outros produtos de origem animal podem levar, por exemplo, às deficiências na ingestão de ferro e cálcio, essenciais ao desenvolvimento fetal.

 

Além disto, vivendo hoje num ambiente de sedentarismo, que favorece o desenvolvimento da obesidade, as pessoas podem ser encorajadas a reduzir drasticamente a sua ingestão de energia, aumentando o risco de carência de alguns destes micronutrientes. Então como proceder? Uma provável solução poderia ser a de aumentar a densidade destes micronutrientes nas dietas, no intuito de prevenir a sua carência. Assim, por exemplo, a produção de alimentos enriquecidos em ferro, ácido fólico e vitamina D poderiam ser estimuladas, pelas autoridades públicas, no intuito de prevenir a sua carência em gestantes e adolescentes.

 

Mas será esta realmente a solução? Será que continuará a haver a promoção deste contínuo nutricionismo, com os médicos, nutricionistas e cientistas tendo de nos dizer continuamente o que podemos comer ou não comer, ou não seria hora de tentarmos voltar a praticar alguns hábitos mais naturais? Por que existem carência de nutrientes tão comuns?

 

Se nossos adolescentes, grávidas, ou mesmo obesos, não fossem continuamente bombardeados com informações nutricionais de procedência duvidosa e interesses escusos, será que eles não se alimentariam melhor? Será que perdemos totalmente o nosso instinto alimentar? Será que nos tornamos incapazes de executar uma função tão básica à sobrevivência quanto nos alimentarmos sem ajuda? Todo o conhecimento estará ajudando ou atrapalhando? A minha avó provavelmente não sabia que o trigo tinha glúten, ou que existiam entidades tão perigosas como gorduras saturadas, gorduras trans, ou tão milagrosas quanto os ácidos ômega 3, e no entanto ela foi capaz de se alimentar adequadamente e ter seus filhos saudáveis e sem nenhuma carência nutricional evidente. Milagre ou instinto? Informação ou cultura?

 

Resumindo, a estratégia de fortificação dos alimentos pode ser boa, como estratégia de saúde pública no curto prazo, mas provavelmente se mostrará sempre inadequada e incompleta quando comparada com a velha e boa alimentação praticada pelas nossas avós.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s