O oba oba da dieta

downloadDepois da moda “detox”, “glutenfree”, “lacfree”, “projetomaromba”, “bumbumnanuca”, “healthylifestyle” e por aí vai, chegamos na nova era, aquela do “podetudo”. Primeiro não podia comer nada, todo mundo vivendo de cápsulas e mais cápsulas, agora fomos evoluindo até chegar no tudo pode e restringir alimento é neurose! O pão sem glúten que não podia “jamé” voltou a poder e aquele queijinho branco mineirinho e gostosinho que se você comesse, com certeza iria sofrer perfurações dentro do seu corpo e morrer de hemorragia, também já pode de novo! Até o refri tá liberado!  Virou o oba oba da libertação!

Não é por aí né minha gente! Existem alguns tipos específicos de dietas para pessoas que possuem necessidades diferentes e principalmente patologias e sintomas diferentes. Vários sintomas são associados a alimentos que consumimos, principalmente aqueles consumidos em excesso. Alguns acham que as intolerâncias estão ligadas somente a sintomas gastrointestinais, o que não é verdade.

Por exemplo na questão do glúten,  além da doença celíaca e da alergia ao trigo, existem casos de reação ao glúten na qual os nem os mecanismos alérgicos nem autoimunes estão envolvidos. Estes são geralmente definidos como sensibilidade ao glúten. Alguns indivíduos apresentam uma série de sintomas quando consomem glúten como angústia, dores ósseas ou articulares, câimbras musculares, dormência nas pernas, erupções cutâneas  e sentem melhoras com uma dieta sem glúten. Na sensibilidade ao glúten os pacientes são incapazes de tolerar o glúten e desenvolvem uma reação adversa ao comer glúten que, geralmente, e diferentemente da doença celíaca, não provocam danos no intestino delgado. Atualmente, o diagnóstico é feito por exclusão, e uma dieta de eliminação e “desafio aberto” (isto é, a reintrodução monitorada de alimentos contendo glúten) são os mais frequentemente usados para avaliar se a saúde melhora com a eliminação ou a redução de glúten da dieta . Esta abordagem não tem especificidade pois  está sujeita ao risco de um efeito placebo da dieta de eliminação na melhoria dos sintomas, porém sendo o único método atual, ele está ajudando a melhorar a vida de muita gente que apresenta sintomas de sensibilidade ao glúten. Se você é essa pessoa, não entra no oba oba do “tudopode”.

Na intolerância a lactose a questão é mais ou menos parecida. Na maioria dos mamíferos a atividade da enzima lactase diminui na parede intestinal após o desmame, caracterizando a hipolactasia primária que provoca sintomas de intolerância à lactose. A intensidade dos sintomas de distensão, flatulência, dor abdominal e diarreia variam, dependendo da quantidade de lactose ingerida, e aumentam com o passar da idade. Porém estes não são os únicos sintomas que vem sido descritos na literatura atualmente. Alguns autores acreditam que a intolerância à lactose seja responsável por diversos sintomas sistêmicos, como dores de cabeça e vertigens, perda de concentração, dificuldade de memória de curto prazo, dores musculares e articulares, cansaço intenso, alergias diversas, arritmia cardíaca, úlceras orais, dor de garganta e aumento da frequência de micção. Na presença de sintomas sistêmicos, é preciso avaliar se de fato decorrem da intolerância à lactose, se são sintomas coincidentes ou se decorrem de alergia à proteína do leite de vaca (que afeta até 20% dos pacientes com sintomas sugestivos de intolerância à lactose). Então, fique atento ao “podetudo”. Se sua nutri identificou algum destes sintomas em você, provavelmente a dieta do oba oba não é a melhor opção para você.

Outras intolerâncias muito sérias como a intolerância à frutose entram na mesma questão. Devemos sempre nos alimentar com equilíbrio desde que respeitemos a nossa individualidade biológica. A variedade de alimentos que encontramos nos supermercados hoje em dia está aí para nos ajudar e em hipótese alguma contrariar esta questão. Se você pode come tudo, coma tudo em equilíbrio e se você é o tipo de pessoa que não pode, então exclua o que não pode e coma o resto em equilíbrio (sempre conte com a nutri).

A nutrição cresceu muito nos últimos anos e não é pra menos. Cada hora a indústria alimentícia tenta levar os consumidores para um lado e é para isso que nós nutris atuamos e buscamos cada dia mais a melhora da saúde de nossos pacientes. Não é de hoje que pessoas chegam com dietas de diferentes nutris e pedem minha opinião. Mas gente, cada profissional tem a sua conduta! Se o seu nutri acha que vc precisa comer casca de mexerica dos andes ou laranja esmaltada da Turquia, foi porque ele identificou que você precisava disso. Então a dica é, pesquise antes de consultar um profissional e se identifique com ele. E isso vale para todas as áreas.

escritopor2gabriela

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