Posso comer isto?

sonhar-com-comidaSim, desde que seja com moderação. Parece que as pessoas simplesmente esqueceram que essa palavra existe. A maioria dos pacientes que atendo no consultório me procuram frustrados com dietas malucas totalmente baseadas em radicalismos orientados por pessoas que não possuem conhecimento suficiente para tal. A onda de blogueiras que dão dicas de como manter um corpo sarado estão deixando as pessoas cada vez mais confusas a ponto delas esquecerem a real finalidade dos alimentos.

A nutrição não envolve somente o fator físico. Claro que temos que estar de bem com o nosso corpo, mas como podemos estar de bem com ele se esquecemos como devemos nos comportar perante ao ingrediente fundamental dele? O alimento não é só algo que comemos para ter um físico deslumbrante. Antes disso ele deve ser escolhido, preparado e saboreado para que assim possa exercer sua principal função, que é nutrir o organismo fisicamente e mentalmente.

A mudança comportamental para promover os hábitos saudáveis deve ser prazerosa, mas isso hoje em dia exige do indivíduo um treino mental, porque a maioria não come somente para “matar a fome”, mas por outras inúmeras razões que buscam o prazer. A busca pelo alimento se tornou uma forma de compensar insatisfações e frustações levando a uma ingestão de alimentos descontrolada.

Aquele que consome alimentos de forma excessiva por fatores psicológicos geralmente sofre com o sobrepeso e a obesidade. Para esse indivíduo, a perda de peso envolve um trabalho de reorganização comportamental e mental, que vai muito além da sua própria força de vontade. Assim, aquele que não consegue emagrecer seguindo dicas, truques e dietas da moda, fica mais frustrado ainda resultando em mais ganho de peso, isolamento e sedentarismo – vira uma bola de neve.

Quando a mídia divulga algo bom sobre um alimento, todos saem feito desvairados para adquiri-lo (vamos lembrar de alguns aqui: goji berry, mirtilo, linhaça, tapioca, chá verde) e o mesmo acontece com o oposto. Se é publicado algum efeito negativo de um certo alimento, ele é imediatamente condenado (alguns exemplos: ovo, carne vermelha, feijão, pão). O que acontece é que o equilíbrio da alimentação foi esquecido.

Devemos comer de forma saudável sim, mas sem radicalismos. Comer um brigadeiro vez ou outra não pode? Claro que pode! Comer tapioca todo santo dia? Não, ninguém aguenta! Comer sempre o mesmo alimento com a promessa de ter um corpo escultural resulta na aversão ao alimento. Que atire a primeira pedra aquele que passou três meses comendo batata doce com frango almoço e janta e não enjoou. Tenho pacientes que não conseguem nem ouvir falar nos nomes “tapioca” e “batata doce”. Não existe um alimento ruim e um alimento bom, o que existe é o equilíbrio e a moderação.

Muitas vezes as pessoas passam por dietas radicais que proíbem inúmeros alimentos emagrecem, lógico, mas não mantém o peso. O resultado? A briga com a balança se torna permanente. O peso nunca é satisfatório e o corpo nunca é o idealizado.

Então antes de ir atrás de dietas malucas e excluir tal e tal alimento, procure um nutricionista para orientar a sua mudança não só física, mas também comportamental. A dieta não depende somente do indivíduo, mas também do ambiente que o indivíduo está.

escritopor2gabriela

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