Globo Repórter e seu desfavor à sociedade

Nós sabemos que o assunto foi tratado na sexta-feira mas, como também somos filhos de Deus, nós descansamos no sábado e no domingo e aproveitamos para refletir sobre o que o Globo Repórter fez no episódio do dia 26/09.

A temática do glúten já foi discutida aqui no blog na postagem “E o glúten, pode?” e deu um reboliço danado nos comentários. Até eu, que tenho minha dissertação de mestrado defendida na UFMG sobre a temática da doença celíaca, fui “convidada” a estudar mais por alguns dos defensores mais ferrenhos da dieta glúten-free. Mas este não é o mérito da nossa postagem. O que eu gostaria de discutir aqui é o desfavor que o programa da TV Globo, o Globo Repórter, faz para a nossa sociedade quando resolve tratar sobre temas de alimentação em suas reportagens (e não, não vou nem perder meu tempo falando do “Bem Estar” porque graças a Deus muita gente não pode assistir a esta maravilha por causa de seu horário de transmissão).

Não é novidade que o Globo Repórter adora discutir algumas questões sobre saúde em seu programa: ele fala de cura do câncer, do uso medicinal da maconha, da importância da atividade física e qualquer outro tema que está na moda abordar. Mas a alimentação é seu tópico preferido (logo depois da vida selvagem no pantanal ou nas savanas africanas). Apesar de já ter visto algumas reportagens interessantes sobre alimentos da moda e alguns estilos de vida, o Globo Repórter (GR) faz o favor de sempre reforçar mitos dietéticos que nós, nutricionistas sérios, custamos em desmistificar.

pão

Nesta sexta-feira o assunto era o pãozinho de sal, alimento tradicional do café da manhã da maioria dos brasileiros. Ao invés de falar das vantagens desta prática, da importância do trigo na nossa alimentação, da fonte de energia que ele representa, ou até do valor sentimental que este produto trás para o brasileiro, eles optaram por falar do glúten. Até ai, tudo bem. O glúten é mesmo uma boa temática para um programa investigativo como o GR, já que muitos dos avanços nutricionais e culinários da alimentação da sociedade ocidental foram alcançados graças a ele. O problema é que, ao invés de mostrar as vantagens e os benefícios de um composto alimentar que está sendo, injustamente, criminalizado pela mídia fitness, o GR prefere se unir ao estilo de abordagem que dá mais ibope: a terrorista. Falar que o glúten faz mal é fácil e dá audiência, o difícil é convencer os outros, que já estão convencidos que este composto é maligno ao nosso organismo, de que ele não é vilão. Ainda bem que para estes méritos (e para nos defender de eventuais ataques dos “defensores da alimentação glúten-free” de plantão) existe a orientação do Conselho Federal dos Nutricionistas.

O negócio é que, se para o glúten existe esta orientação formal e profissional sobre o assunto, o mesmo não acontece com outros alimentos que o GR transformou em vilão ou em solução milagrosa para os seus problemas (porque sim, eles fazem isso também). Enquanto o tomate, por exemplo, virou um dos principais causadores de câncer do país (especialmente após a morte do cantor Leandro – lembram?), o Goji Berry era a solução emagrecedora para qualquer homem e mulher que sofresse com alguns quilinhos a mais. Lembrar de cada um do alimentos que já foram “estudados” por este programa televisivo é praticamente impossível para nós. Mas se vocês não vão discutir o que o GR (ou o Bem Estar, Fantástico, Melhor do Brasil, Jornal Nacional, etc) dizem de certo e errado sobre as várias vertentes da alimentação, o que vocês querem dizer com este texto Marina? Nós, do Batata Frita Pode, que SEMPRE falamos aqui que o importante é a moderação com qualquer alimento ou prática dietética, não queremos parecer repetitivos e falar novamente sobre esta nossa premissa. Nós só queremos alertar você leitor para que não acredite em qualquer coisa que vê na TV. Na dúvida pode perguntar aqui pra gente mesmo, que teremos o maior dos prazeres em responder.

Se lhes resta alguma dúvida sobre a nossa capacidade de tirar suas dúvidas sobre alimentação é só clicar na aba “Quem Somos Nós?”, e ver nossa formação. E que os programas de televisão (e as revistas e jornais) tentem cada vez menos responder questionamentos que não cabem a eles, formadores de opinião tão mais fortes do que nós, meros profissionais da área da saúde.escritopor2marina

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4 respostas em “Globo Repórter e seu desfavor à sociedade

  1. Post muito bacana, Marina. Eu mesma vivia caindo nessas ciladas do Globo Repórter até conhecer alguns nutricionistas (inclusive aqui no blog) que me mostraram que a coisa não é beeeeem assim. O problema é que nem todo mundo tem acesso a esse tipo de informação e muita gente acaba se jogando nessas dietas da moda e acreditando totalmente em tudo que a TV fala sobre o assunto.

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