O Lado obscuro da Soja

sojaO consumo de soja tem aumentado de forma significativa e aparece recorrentemente ligado a benefícios à saúde. No entanto, existem também controvérsias a esse respeito, pouco conhecidas. Discute-se ainda o caráter socioambiental dos riscos relacionados à sojicultura, frequentemente ignorado na definição de soja como alimento saudável e seguro.

Segundo Elaine Azevedo a soja ficou conhecida como alimento funcional devido a sua ação preventiva nas doenças cardiovasculares, além do tratamento de doenças como hipercolesterolemia, hipertensão e osteoporose. Pesquisas também sugerem que a presença de fotoquímicos na soja faz dela um alimento funcional que atua nos sintomas da menopausa e que o consumo da soja ajuda a evitar o desenvolvimento de alguns tipos de tumores, como o de mama e o de próstata.

As controvérsias em torno da soja emergiram a partir do levantamento das contraindicações ao consumo regular de soja não-fermentada. Tais restrições já existiam na cultura alimentar dos antigos asiáticos, que consumiam regularmente soja fermentada na forma de miso, shoyo, nato e tempeh e usavam o grão apenas para adubação verde.

O consumo de soja não fermentada está relacionada com diversos distúrbios nutricionais, como interferência na absorção de minerais como ferro e zinco, inibição da enzima tripsina, acúmulo de cálculos renais e alergenicidade. (Elaine Azevedo,2011)

Outros estudos, segundo a Revista de Saúde Pública de 2011, indicam que o consumo de soja está diretamente relacionado com hiperplasia e formação de nódulos no pâncreas. Alguns pesquisadores identificaram a isoflavona como agente potencial nas disfunções da tireóide em adultos e crianças. Estudos também sugerem que a isoflavona inibe a síntese do estradiol e de outros hormônios esteróides, o que causa distúrbios hormonais, os quais podem afetar especialmente os neonatos masculinos, particularmente vulneráveis à ação dessas substâncias. Pesquisas mais recentes relacionam o alto consumo de soja com infertilidade em homens adultos e demência entre idosos.

Segundo a FDA 60% dos alimentos processados disponíveis nos supermercados norte-americanos contêm soja. Entre esses produtos estão sucos à base de extratos de soja, hambúrgueres vegetarianos, embutidos de carne e frango, bolos, sorvetes, milkshakes, barras de cereais e até água com sabor de frutas. No Brasil, a quantidade de soja invisível consumida via alimentos industrializados não é muito diferente da encontrada nos Estados Unidos e aumenta progressivamente. Tal aumento é resultado de forte estratégia de marketing, com o apoio de pesquisas científicas, que focam o consumidor especialmente preocupado com questões de saúde.

De forma geral, a cultura da soja se enquadra no sistema de produção agrícola moderno, que adota práticas agrícolas de grande impacto ambiental na produção da leguminosa e tem consequências na fertilidade do solo, na diversidade biológica da flora e da fauna, na poluição de recursos hídricos e no clima. Ecossistemas com grande diversidade biológica, como a Mata Atlântica, o Cerrado e a Floresta Amazônica, são afetados para dinamizar áreas de plantio. Mais recentemente, o uso de sementes transgênicas apresenta. repercussões negativas sobre o habitat e a saúde e qualidade de vida dos seres humanos. (Revista de Saúde Pública de 2011)

soja 2As variadas escolhas alimentares têm sido objeto de constante reformulação, a partir de novos estudos e informações. Diante de tantas opções, aparecem também as incertezas, o que é realmente verdade e o que é mito? Profissionais da saúde estudam  mais a cada dia com o intuito de buscar informações e desvendar os mistérios da indústria alimentícia. O consumidor não sabe discernir o “saudável” da “estratégia de marketing”.

Toda esta propaganda que promove a soja como um “alimento milagroso” é apenas mais uma armadilha da indústria alimentícia. Afinal, a indústria da soja é tão grande quanto à indústria do leite (que o promove como “fonte essencial de cálcio”) e a indústria da carne (que a promove como “fonte essencial de proteínas”), e dispõe de grande orçamento para patrocinar estudos e publicidade para colocar a leguminosa em alta.

Promovida como uma alternativa “mais do que saudável” para o leite e para a carne, a soja hoje é adicionada em quase tudo. Biscoitos, macarrão, salgadinhos infantis, fórmulas nutricionais para bebês, bebidas prontas, suplementos para atletas… Parece que adicionar soja entre os ingredientes é bom negócio. O consumidor realmente acredita optar por algo melhor quando lê a palavra mágica “soja” entre os ingredientes.

O fato é que existe um elevado conteúdo de antinutrientes na soja que não é devidamente preparada.

foto-galeria-materia-620-10Os chineses sabiam disto e, portanto, só consumiam a soja fermentada. A fermentação, realizado por microrganismos benéficos (probióticos), pré digere a proteína em aminoácidos e inativa tanto os inibidores enzimáticos quanto os anti-nutrientes. Desta forma a soja se transforma em um alimento altamente biodisponível, apta ao consumo humano. Se a soja não for preparada desta maneira bem específica, ou seja, por fermentação lenta, o melhor, por enquanto é evitá-la.

Na contramão do FDA americano, o DOH da Inglaterra (Departamento de saúde) através do seu comunicado a todos os médicos do Reino Unido (CMO’s Update 37, de Janeiro de 2004) adverte que não se deva utilizar alimentos infantis baseado em fórmulas com soja (o famigerado leite de soja) como escolha para aquelas crianças que tenham qualquer dificuldade com a ingestão de leite de vaca (alergia, intolerância etc.), e muito menos para crianças saudáveis, tendo em vista que a alta concentração de fitoestrogênios que tais fórmulas contém pode ser perigosa a longo prazo para a saúde reprodutiva destas crianças.

Como tudo na ciência, ainda são necessários mais estudos sobre o assunto. A questão é que os estudos existentes não estão sendo divulgados e muitos desaparecem e é aí que fica o questionamento. Seria mesmo um alimento milagroso? Seria mais uma jogada da industria alimentícia? O consumo da soja não fermentada é um risco para a saúde?Por que os artigos que questionam os então “benefícios” simplesmente somem?

Referências

O site deste médico aborda alguns aspectos interessantes, nele vocês podem encontrar mais referências:

http://drpaulomaciel.com.br/perigo-soja-a-vista/

escritopor2gabriela

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