Pimenta: um Termogênico Natural?

Sim! Vamos saber mais sobre seus benefícios…

pimentaAs pimentas trazem sabores e cores especiais aos pratos e podem ser classificadas como um alimento plenamente integrado à cultura e aos costumes de diversos países do mundo, especialmente no Brasil e no México, onde são os principais ingredientes responsáveis pelas peculiaridades e qualidades gastronômicas típicas mais apreciadas. As pimentas, em sua maioria, possuem sabor ardido, característico, devido à presença do alcalóide capsaicina na placenta, nas sementes e em menor grau, no pericarpo do fruto. O pimentão e as pimentas doces não possuem sabor picante, devido à ausência do alcalóide capsaicina, sendo estes utilizados como corantes e para consumo in natura. O gênero Capsicum é representado pelas pimentas e pimentões. A origem do nome Capsicum parece estar ligada à derivação da palavra grega kapto, cujo o significado é “picar” e kapsakes que significa “cápsula”. As espécies mais conhecidas são Capsicum annuum, Capsicum frutescens, Capsicum baccatum, Capsicum pubescens e Capsicum chinense. As espécies do gênero Capsicum vêm sendo estudadas por pesquisadores do mundo inteiro e os estudos conferem à capsaicina uma atividade redutora de doenças cardiovasculares, potencial antioxidante, propriedades anticâncer e antimutagênica, ação analgésica, anti-úlcera, influência sobre o sistema nervoso, útil na perda de peso, melhora do aparelho respiratório e ação antiinflamatória. As pimentas, principalmente as mais pungentes, são usadas como condimentos, na forma de conservas caseiras e industrializadas, extratos concentrados denominados oleoresinas, em pó, corantes e na composição de medicamentos. São empregados também como produto da indústria bélica, na confecção de “pepper spray” e “pepper foam” fabricados a partir da oleoresina.

perda de pesoA capsaicina na perda de peso…

A prevalência do excesso de peso tornou-se um problema sério em países em desenvolvimento como o Brasil. A estimativa em 2003 para a obesidade no mundo foi de 1,7 bilhões de pessoas. A Organização Mundial da Saúde apresentou, nesse mesmo ano, os principais riscos que afetam a saúde, ficando o excesso de peso em primeiro lugar, tanto em países desenvolvidos quanto países em desenvolvimento.
Egger (2000) revisou a efetividade de suplementos para perda de peso, e o resultado suporta o efeito de algumas substâncias como a capsaicina, a cafeína e fibras no emagrecimento.
Negulesco et al. (1999) estudaram o efeito com a diidrocapsaicina e mostraram que sua administração em animais em dieta hiperlipídica causou alteração no consumo de alimentos, no peso corporal e peso das fezes, além de causar alterações no perfil lipídico. Estudos posteriores mostraram que, mesmo após um ano do término do tratamento, os animais tratados com capsaicina mantiveram um baixo acúmulo de gordura corporal (EGGER, 2000).
No estudo de Tewksbury (2001) houve diminuição de apetite e subseqüente consumo de lipídios em mulheres e diminuição no consumo calórico em homens. Quando observados os efeitos da ingestão concomitante de pimenta e cafeína, houve redução do consumo e aumento do gasto calórico, indicando uma mudança considerável no balanço energético (TEWKSBURY; NABHAN, 2001).

Num estudo feito por Yoshioka et al. observou-se que nos seres humanos há um aumento do gasto energético imediatamente após uma refeição que contém pimenta, quando comparado a um grupo controle.
Estudos em animais não-humanos também mostraram que a injeção ou o tratamento oral com capsaicina estimula a atividade do sistema nervoso simpático. Assim, a administração da capsaicina favorece um aumento na mobilização de lipídios e diminuição da massa de tecido adiposo .
Em estudos com seres humanos, a pimenta vermelha induziu redução na repetição da ingestão alimentar, elevado gasto energético pós-prandial e oxidação lipídica.
Participantes de um estudo com 2 semanas onde foram submetidos a capsaicina administrada em combinação com chá verde e essência de frango, mostram redução de gordura corporal. Num estudo mais longo, o grupo com capsaicina teve uma oxidação lipidica maior do que o grupo placebo.

colesterolA capsaicina na redução do colesterol e triglicérides…

Ensaios com ratos alimentados com dieta hiperlipídica e, posteriormente, adicionadas pequenas quantidades de pimenta vermelha (Capsicum annuum) ou capsaicina, apresentam efeito hipocolesterolêmico e hipotrigliceridêmico. Do mesmo modo, estudos demonstraram que a suplementação de capsaicina em dieta hiperlipídica de animais reduz o risco de desenvolvimento de aterosclerose através da redução do colesterol sanguíneo e da concentração sérica de triglicerídios.

A capsaicina na redução dos radicais livres…

radicaisSabe-se também que as pimentas, juntamente com os pimentões, têm altos teores vitamínicos. São fontes de excelentes antioxidantes naturais: a vitamina C, os carotenóides, a vitamina E e as vitaminas do complexo B .
Pesquisadores conduziram um estudo para verificar a atividade antioxidante dos frutos de pimenta, conforme o seu estado de maturidade e observaram que há uma diferença na atividade antioxidante entre os frutos verdes e os maduros, sendo que os frutos maduros apresentam maior atividade antioxidante.
Os flavonóides em maior conteúdo encontrados nas pimentas são a quercitina e a luteolina, que estão presentes em formas conjugadas. Luteolina tem maior atividade antioxidante seguida pela capsaicina e pela quercitina. Os flavonóides são pigmentos naturais presentes em vegetais e que protegem o organismo do dano produzido por agentes oxidantes, como os raios ultravioleta, poluição ambiental, substâncias químicas presentes nos alimentos, etc. O organismo humano não pode produzir estas substâncias químicas protetoras, por isso devem ser obtidas mediante alimentação ou em forma de suplemento .

Enfim, diversos artigos pontuam os benefícios das pimentas, mas como tudo, procure não consumir em exagero. Se você consome a pimenta buscando algum tipo das propriedades benéficas citadas acima, consulte um nutricionista de confiança, ele é o profissional indicado para te orientar.

Referências

BASHA, K. M.; WHITERHOUSE, F. W. The antimicrobial of Chile peppers. Henry Ford Hospital Medical Journal. v. 39, p.138-140, 1991.

BIANCHETTI, L. D. B. Aspectos morfológicos, ecológicos e biogeográficos de dez táxons de Capsicum (Solenácea) ocorrente no Brasil. Dissertação de Mestrado, Universidade de Brasília, 1996.

HENZ, G.P. Perspectivas e Potencialidade do mercado para pimentas. Embrapa Hortaliças. 1º Encontro Nacional do Agronegócio de Pimentas, Brasília –DF, p.0-18, 2006.

LONG-SOLIS. Capsicum y cultura: la historia del chilli. México: Ed. Fundo de Cultura Econômica. P.240, 1998.
LOTUFO, P.A. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. São Paulo: p.321-325, 1998.

STARK, B.C. Características e benefícios da capsaicina. Pelotas, 2008.

ZANCANARO, R.D. Pimentas: tipos, utilização na culinária e funções no organismo. Brasília, 2008.

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