Efeitos Benéficos do Alho

 
O alho é um alimento que está bem presente no prato do brasileiro, seja no arroz, no feijão ou nos legumes refogados. Mas será que sabemos como realmente o alho deve ser consumido? Acredito que muitos não sabem os benefícios que podemos conseguir através do seu consumo correto, então vou falar um pouquinho a respeito.
 
O alho (Allium sativum),é uma das plantas mais cultivadas ao longo da história, muito utilizado por vários países do mundo, algumas culturas como egípcia, indiana, grega e romana já tinham a visão de que o alho continha propriedades profiláticas e terapêuticas. Os componentes sulfurados do alho, como a aliina, alicina, dialil sufeto, dentre outros, são os que se destacam como benéficos para a saúde humana, e que promovem o odor característico do alho. O alho da terra, a cebolinha de cheiro e o alho poró são espécies desse mesmo gênero liliáceo. A maior concentração de fitoquímicos terapêuticos encontra-se no bulbo, o dente de alho. A forma de utilização é fundamental para que haja a disponibilidade dos agentes fitoquímicos. O sabor característico intenso dificulta seu consumo na forma crua, o odor é exalado inclusive pelo suor até 72 horas depois de ser consumido. A concentração dos compostos depende do modo de cultivo, localização da planta, maturação e manipulação. É importante que o alho seja consumido imediatamente após a manipulação (cortado, amassado ou partido) e de preferencia cru, pois a ação do calor diminui muito a concentração dos fitoquímicos sulfurados.
 
Embora muitas pesquisas foram realizadas desde a década de 80, os resultados ainda são conflitantes:
O Instituto Nacional de Saúde norte-americano lançou uma revisão sistemática de todo esse corpo de evidências a respeito do alho. No trabalho, verificou-se que o consumo de diferentes preparações, comparado com placebo, reduziu o colesterol sangüíneo total significativamente após um mês (reduções de pelo menos 1,2 mg/dl até 17,3 mg/dl em alguns casos). Porém, um acompanhamento durante seis meses não identificou nenhuma diminuição no colesterol decorrente da utilização de alho. Assim também a ingestão de diversas formas de preparações de alho mostrou redução da agregação plaquetária. Contrariamente, observaram que o uso do alho não trouxe benefícios para a redução da pressão arterial, nem na glicemia de pacientes com ou sem diabetes, nem no câncer gástrico, colorretal, endometrial e laríngeo. Os possíveis efeitos adversos no consumo do alho encontrados nos trabalhos analisados nessa revisão foram mau hálito e forte odor corporal. Também se verifica no alho a propriedade antimicrobiana, destacando dentre seus componentes alicina e ajoene, com essa atividade mais intensa. Isso é de interesse para alguns pacientes que sofrem de doenças infecciosas, quando optam por tratamento natural. Por isso, foi realizado um estudo que avaliou o sinergismo entre antibióticos e extratos de plantas, que incluía o alho, contra o Staphylococcus aureus. Dentre as plantas analisadas, o alho apresentou capacidade antimicrobiana sobre o Staphylococcus, porém com menor atividade sinérgica com as drogas. Porém, há autores que não observaram um resultado positivo, por exemplo, no uso do alho para o tratamento de infecção por Helicobacter pylori .

 
O consumo do alho cru deve ser cauteloso, foram descritos alguns casos de dermatite de contato e asma alérgica após sua ingestão, o que sugere a suspensão do uso de suplementos de alho para gestantes, nutrizes e crianças e nos períodos pré e pós cirúrgicos devido aos seu efeito antiplaquetário.
 
Portanto, podemos concluir que evidências científicas identificam os efeitos benéficos do uso do alho em diferentes doenças. Contudo, é essencial que haja mais pesquisas com mais rigor metodológico para determinar qual a melhor forma e dosagem necessária para a obtenção de seus efeitos benéficos.

Referências Bibliográficas:
Garlic: Effects on Cardiovascular Risks and Disease, Protective Effects Against Cancer, and Clinical Adverse Effects. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/bv.fcgi?rid=hstat1.chapter.28361
Jakubowski H. On the health benefits of Allium sp. Nutrition. 2003

American dietetic association. Position of the American Dietetic Association: Functional Foods. Am J Diet Assoc; 99(10):1278-84, 1999
 
Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina. Células e Órgãos do Sistema Imune. Disponível em: http://www.virtual.epm.br/material/tis/curr-bio/trab2004/2ano/imuno/celulas.htm

 

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