Batata Frita opina: a polêmica das pesquisas animais

Todo mundo viu, leu, ouviu essa semana sobre a polêmica do “sequestro” de cães da raça Beagle de um laboratório do Instituto Royal após suposta acusação de maus-tratos. Não ouviu falar? Clica aqui antes de ler a nossa opinião.

Vocês devem estar se perguntando porque é que um blog de alimentação vem discutir aqui esta questão tão delicada que é a pesquisa em animais. E eu lhes digo que, talvez, nos tempos atuais, a indústria alimentícia é uma das maiores responsáveis por pesquisas envolvendo animais em seus testes. “Que absurdo!” vocês me diriam. Sim, talvez seja absurdo, mas também é bom pensar “do lado de fora da caixa”, e tentar entender porque ainda pode ser complicado suspender o uso de animais em pesquisas científicas.
Nós, do Batata Frita, temos todos (com exceção da nossa querida advogada Natália, colaboradora de receitas sem glúten) formação acadêmica na área da saúde. E isto nos forçou (gostando ou não) a visualizar diversas aulas práticas com o uso de animais: desde a anatomia em cadáveres humanos (sim, nós também somos animais, não?) até a experimentação terapêutica em animais de diversas raças e portes (sapos, ratos, coelhos, pombos). O uso de animais na formação acadêmica também encabeça uma polêmica enorme, a qual eu ligeiramente concordo com a substituição destes por programas de computador, peças artificiais e outras técnicas para informação dos estudantes. Isto porque as técnicas mostradas durante a FORMAÇÃO de um aluno já foram amplamente exploradas, não necessitando sacrificar um animal para mostrar algo que já sabemos a resposta de um organismo X. “Mas porque não substituir os animais da prática experimental também por programas de computador ou peças?”. Bom, meu caro leitor, é ai que o buraco é mais embaixo.
De todos os produtos alimentícios que você e eu consumimos (desde os naturais até os suplementos de academia) sabe quais não foram testados em algum animal? Nenhum. Nem que o animal fosse o próprio homem. Duvida? Então dá uma lida nesta postagem aqui antes de continuar. E porque testar em animal? Primeiro porque nossa legislação permite. Todos os centros de pesquisa respondem a um comissão local (geralmente nomeados CETEA – Comissão de Ética em Experimentação Animal – ou CEUA – Comissão de Ética em Uso Animal) que, por sua vez, respondem a uma comissão nacional. E, por mais que vocês não acreditem e falem que no Brasil nada dá certo, eles são extremamente rígidos e sérios. Hoje fazer uma pesquisa que envolva um grupo animal é até mais difícil do que fazer uma pesquisa com humanos, exatamente por causa do frisson que isso causa nas pessoas e na mídia. Segundo motivo, para não usar voluntários humanos em produtos em que não se sabe a nossa resposta. Você sairia do conforto da sua casa para arriscar sua vida em prol de toda uma humanidade usando um produto que nem sabemos como funciona? Eu não, você eu já não sei. Algum animal testou até a sua whey protein viu? Mas ai você me questiona de novo: “o organismo animal não responde de maneira semelhante ao nosso”. Eu sei, mas responde próximo ao nosso. É através das respostas deles que criamos HIPÓTESES para o que aconteceria conosco. E para estas hipóteses chegarem a um teste em humanos ela passa por muitos, e muitos, testes animais, infelizmente. Não há ainda uma outra solução que nos dê tanta segurança neste aspecto, e mesmo depois de testados em animais e em humanos, ainda temos produtos que dão problemas. Imaginem o caos se não testássemos? Pois é. Vocês acham que os pesquisadores gostam de testar em animais? Que eles não tem nenhum pingo de sentimento? A primeira vez que tive que sacrificar um rato eu tive pesadelos por toda a noite por causa disso. Nunca foi bom. Mas ainda é necessário, e eu espero que, pensando racionalmente, a gente tente entender porquê.

Mas a parte de toda a polêmica “animal racional/animal irracional”, o que mais incomodou nessa história toda dos Beagles foi o fato de terem se importado só com os Beagles. Esqueceram dos ratos, peixes, rãs, insetos, vacas, cavalos, coelhos, gatos, pássaros e tantos outros animais que também são testados. E que, vamos deixar bem claro, são criados em cativeiro para isto. Muitos deles, se soltos, morreriam em poucos dias, igual quando soltam animais de zoológico. Mas tudo bem, isto é outra discussão. Voltando aos injustiçados animais testados, não vamos esquecer também que, se você protesta para sermos racionais perante a esta situação vamos então ser racionais por completo: pare de consumir os produtos que são testados neles (ou seja, todos!), pare de comer carne animal, pare de comer ovos, pare de tomar leite, pare de usar off quando vai para o campo ou montanhas, pare de usar remédio para afastar baratas e cupins de sua casa, pare de reclamar que o tomate orgânico é mais caro (sim, não usar inseticida dificulta a produção de alimentos em grande escala), pare de tomar remédio quando estiver doente, simplesmente pare. E se você disser que estou sendo radical, talvez você tenha razão, estou sendo mesmo, mas não estou sendo irracional. Por mim eu salvaria todos os beagles do mundo, mas na hora de escolher entre eu e ele eu escolheria ele, e acho que você também. E esta escolha é irracional: ela se chama instinto de sobrevivência.
Obs: Não é errado ser contra testes com animais. Se quiser ajudar o desenvolvimento de pesquisas sem vida animal é só procurar na internet sobre o assunto, tem muita coisa lá, até mesmo pra doação.
Obs2: A autora não tem nada contra os Beagles. Nada mesmo.
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2 respostas em “Batata Frita opina: a polêmica das pesquisas animais

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