Boa Nova: Consumo moderado de cerveja traz benefícios para o coração

Estudo lançado em Madrid, que comprova os benefícios da cerveja para a saúde cardiovascular, foi apresentado pela primeira vez no Brasil

Beber cerveja faz bem para o coração. Esta foi a conclusão apresentada pela médica espanhola Lina Badimón durante sua palestra no XXXIV Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, no último sábado, 01/06. Diretora do Centro de Pesquisa Cardiovascular de Barcelona, Dra. Lina esteve no Brasil pela primeira vez e apresentou o estudo Os Efeitos Protetores da Cerveja no Sistema Cardiovascular, publicado em agosto passado, em Madrid. 
Durante a palestra, Dra. Lina demonstrou para uma plateia com mais de 500 médicos brasileiros que o consumo moderado de cerveja é capaz de reduzir a cicatriz no coração provocada por um infarto agudo do miocárdio. De acordo com a investigação, a bebida favorece a reparação das fibroses em corações lesionados, resultando não só em um menor tamanho da cicatriz, mas em uma melhora geral no funcionamento cardíaco. 
Além disso, a pesquisa levou à conclusão de que, após o consumo moderado de cerveja, houve uma melhora na quantidade e na qualidade das partículas de HDL (colesterol bom), diminuindo assim os efeitos oxidantes sem que exista alteração de massa corporal. 
Também participaram da apresentação Dr. Nabil Ghorayeb, especialista em Cardiologia e Medicina do Esporte e coordenador geral do Sport Check-up HCor, e a nutricionista Rosana Perim, Gerente de Nutrição do HCor. Esta foi a primeira vez que os benefícios da cerveja foram discutidos entres os profissionais brasileiros da área de saúde. Agora o próximo passo é aguardar possíveis estudos no país, que demonstrem que o prazer da beber cerveja moderadamente pode estar atrelado a diversos benefícios para saúde.
 

Dra. Lina Badimón

Nome: Lina Badimón
Idade: 46
Ocupação: pesquisadora médica
País: Espanha
Cargo: diretora da cadeira de Pesquisas Cardiovasculares da Universidade Autônoma de Barcelona

Lina Badimón, diretora de Pesquisas Cardiovasculares da Universidade Autônoma de Barcelona, atua em uma das áreas da medicina em que a sociedade deposita suas maiores esperanças: decifrar os mecanismos dos ataques cardíacos, a maior causa de morte nos países desenvolvidos. Aos 45 anos, Badimón já tem um histórico profissional impressionante, que inclui a administração do laboratório de cardiologia do hospital Mount Sinai, em Nova York, cuja criação lhe foi confiada quando tinha só 29 anos. Ela também fez pesquisas na Universidade Harvard. Badimón acha que os conhecimentos adquiridos nos últimos anos vão permitir um salto revolucionário: encontrar um mecanismo para bloquear a formação de placas nas artérias. O ataque pode resultar em modificações genéticas devidas a fatores externos, como dieta inadequada. Acha que estamos perto de encontrar a resposta e, com ela, uma estratégia para evitar os ataques cardíacos.  

Lina Badimon é Diretora do Centro de Pesquisa Cardiovascular (CSIC-ICCC) de Barcelona, do Conselho Nacional Espanhol de Pesquisa (CSIC), do Hospital Santa Cruz e San Pablo, e da Escola de Medicina da Universidade Autônoma de Barcelona. Também é professora adjunta associada de Medicina – Cardiologia na Escola de Medicina Mount Sinai, Nova Iorque. 
– Quais os principais resultados obtidos com o estudo?
Os efeitos benéficos da cerveja estavam descritos na literatura científica e já havia sido detectado que o consumo moderado da cerveja se associa a benefícios para proteção cardiovascular: redução de infarto e controle dos fatores de risco cardiovasculares. A partir disso, decidimos investigar a nível celular e molecular se a cerveja poderia ter o efeito de bloquear a formação dos radicais livres, um processo que está associado, por exemplo, ao processo de isquemia coronária. Nosso trabalho se centrou em um modelo experimental com o uso de 1 a 2 latas de cerveja ao dia e por fim detectamos que o grupo que tomou cerveja teve uma menor lesão no coração e uma melhor função arterial. 
– Como os ingredientes da cerveja atuam para beneficiar à saúde?
A cerveja é um produto fabricado com componentes naturais que não se perdem no processo de fermentação necessário para a produção da bebida. Em todos estes componentes existem elementos nutritivos com efeitos protetores, mas o efeito mais importante se deve a quantidade de antioxidantes que há no lúpulo – o lúpulo confere à cerveja até 30% da sua capacidade antioxidante. 
Qual é a exata substância encontrada na bebida que causa o benefício apontado na pesquisa?

Esta é uma boa pergunta. Inicialmente, há alguns efeitos que estão associados com a fermentação alcoólica. Mas há outra parte que está associada com a quantidade de antioxidantes contida na bebida, porque comparamos os efeitos da cerveja tradicional coma cerveja sem álcool, e vimos benefícios à saúde nas duas versões.
 

– O que se pode entender por consumo moderado?
Existe um acordo internacional, com base em provas científicas e médicas, que indica que a quantidade máxima de álcool que se pode ingerir por dia é 30g entre os homens, que corresponde a três cervejas ou dois copos de vinho, e 20g entre as mulheres, que corresponde a duas cervejas ou uma taça de vinho. 
Existe diferença de benefícios entre diferentes estilos de cerveja?
A quantidade de antioxidante presente na cerveja pode até variar um pouco dependo do processo de fermentação utilizado na produção da bebida, mas em geral toda cerveja tem os mesmos efeitos protetores, já que todas possuem os mesmos componentes básicos.
Tais benefícios à saúde também ocorrem em pessoas sedentárias?

Não formulamos as perguntas do nosso estudo de acordo com o nível de exercícios físicos, então não há como responder. Mas com base em outros trabalhos na literatura científica , podemos dizer que os benefícios dos antioxidantes na dieta se acumulam com os exercícios. Então, se a pessoa pratica exercícios, é bem melhor.
 
 
Se não é o álcool tão somente que gera os benefícios apontados pela pesquisa, pessoas que não gostam de álcool ou simplesmente não podem ingeri-lo podem ter as mesmas vantagens de outra forma?

A cerveja não alcoólica, como disse, também é benéfica, e provavelmente outras bebidas produzidas a partir da fermentação de componentes naturais, como o vinho, podem causar benefícios semelhantes.

Sei que a senhora já está produzindo novos estudos. Conte-me um pouco sobre eles.

Semana passada, por exemplo, estava em um encontro na Espanha, um congresso anual sobre esclerose. Estamos apresentando informações sobre os efeitos do consumo da cerveja na disfunção endotelial. as células endoteliais são importantes na regulação do desenvolvimento da esclerose e temos visto que a função endotelial é preservada tanto pela cerveja tradicional quanto pela versão não alcoólica. Este é um segundo estudo que estamos desenvolvendo e agora estamos usando informações do genoma humano para saber quais genes que são regulados (pela bebida).

A senhora acha que, num futuro próximo, uma vez que se consiga identificar as exatas substâncias da cerveja que causam os benefícios à saúde, ela pode ser transformada em uma pílula, por exemplo?

Esta não é uma meta para nosso estudo, mas é algo que pode ser extraído dele. A informação disponível até agora não é lá muito boa. Quando as vitaminas E ou C são ingeridas em comprimidos, elas não têm o mesmo efeito quando se come um alimento rico nestas vitaminas. Há uma discrepância entre ingerir um alimento rico em antioxidantes para ter os efeitos da substância e tomar uma pílula. Vemos então que existe uma transição (entre a composição natural e a forma em pílula) que ainda não sabemos como lidar.


Fonte: In Press Porter Novellie CISA : Centro de Informações Sobre Álcool e Saúde


ENTÃO PODE TOMAR UMA LATINHA DE CERVEJA EM COMEMORAÇÃO AO NOSSO QUINTO ANIVERSÁRIO. SAÚDE !

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