Anabolizante Pode?

Alguns praticantes de atividade física não tem paciência para seguir o treino sem falhas e esperar os resultados aparecerem. Muitos acabam buscando os esteroides anabolizantes como alternativa para conseguir resultados mais rápidos. Em geral, as fórmulas são derivadas da testosterona, o hormônio sexual masculino, e causam a retenção de líquidos – daí o inchaço da musculatura. Os hormônios do crescimento (HGH), naturalmente produzidos pela hipófise, também têm sido usados como anabolizantes.
Devido à dose extra de hormônios, o metabolismo celular aumenta, surge o inchaço e os exercícios intensos provocam hipertrofia muscular.  Nem mais fortes os músculos ficam, já que o aumento das fibras não é resultado de esforço, mas do acúmulo de líquidos – a ilusão até pode gerar lesões se a carga de peso for aumentada sem cuidado. Os riscos para a saúde são muitos. 
Sistema cardiovascular: com a dosagem extra de hormônio circulando na corrente sanguínea, o músculo cardíaco pode ser vítima de fibroses (desenvolvimento exagerado de tecido muscular), devido ao aceleramento do metabolismo. Essas fibroses podem obstruir as veias, impedindo a passagem do sangue e causando ataques cardíacos.
Fígado: acaba sendo sobrecarregado com a alta dosagem de hormônio no corpo. Em casos mais graves, a sobrecarga causa nódulos nas células, que provocam câncer. Essa sobrecarga no fígado também pode causar um aumento na produção de enzimas, o que faz o órgão produzir mais colesterol ruim (o LDL) do que o bom (HDL). A gordura acumula nas paredes das artérias do coração e do cérebro – por isso as veias entupidas podem causar derrame e acidente vascular (AVC). Em média, 75% do colesterol do corpo é produzido pelo fígado para as ações reguladoras do metabolismo. Quando há excesso de hormônio para ser metabolizado no fígado,há queda na produção do chamado colesterol bom (HDL) e aumento a produção do chamado colesterol ruim (LDL). 
Nos homens:  há alto risco de atrofia dos testículos e infertilidade. Com altas doses de hormônio, os testículos perdem a capacidade de produzir testosterona, efeito que pode ser temporário ou permanente, dependendo de cada caso. A inibição da testosterona também pode levar à impotência. Os anabolizantes provocam bloqueios numa glândula chamada hipófise, que é a glândula que controla a fabricação de testosterona. Com isso, o homem pode entrar em um estado chamado de hipogonadismo, ou seja, a falta do hormônio masculino. Nesta situação, há perda ou diminuição do desejo sexual, além de prejuízo na qualidade e na capacidade de ereção (disfunção erétil). 
Pode ocorrer um aumento do tecido mamário, problema conhecido por ginecomastia.Parte da testosterona é convertida em estradiol, um hormônio feminino, estimulando o desenvolvimento de mamas, às vezes só uma cirurgia é capaz de reverter esse quadro.
Nas mulheres: há aumento de pelos, engrossamento da voz, aparecimento do pomo de adão e hipertrofia do clitóris, o que atrapalha o prazer sexual. 
O abuso de anabolizantes pode vir acompanhado de problemas cutâneos. A ação anabólica causa hipertrofia também nas glândulas sebáceas, responsáveis pela oleosidade natural da pele. Quanto maior for o uso de esteroides, maior será a oleosidade da pele e há o surgimento de acne.
 O endocrinologista Filippo Pedrinolla reforça um risco associado ao consumo de anabolizantes: muitas versões podem ser consumidas de forma injetável. As seringas e as agulhas, se não forem novas e esterilizadas, aumentam o risco de contágio de AIDS e hepatite.
Quando a droga é usada por jovens menores de 21 anos, os danos podem ser maiores ainda. “Em adolescentes, o excesso de testosterona atrapalha o crescimento e acelera puberdade, piorando o desenvolvimento”, afirma o endocrinologista Filippo Pedrinolla.
O endocrinologista Tercio Rocha explica que a testosterona é conhecida como o fator de maior contribuição no nível de agressividade do homem. Pessoas que tomam esteroides anabolizantes apresentam-se mais agressivos e violentos que o normal.

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