Desidratação para rápida redução de peso, pode?

Reduções rápidas de peso em lutadores foram muito difundidas entre educadores, profissionais de saúde e cientistas do esporte por mais de meio século.
Os principais métodos para redução ponderal (p.ex., exercício, restrição alimentar, jejum e diversos métodos de desidratação) afetam a água corporal, o conteúdo de glicogênio e a massa corporal magra. Essas técnicas de redução de peso são utilizadas por 25 a 67% dos lutadores. Tem sido relatado o uso de agentes farmacológicos, incluindo os diuréticos, estimulantes e laxantes para reduzir o peso entre alguns desses atletas. Essas técnicas para reduzir o peso têm sido passadas de lutador para lutador ou do técnico para o lutador e mudaram pouco nos últimos 25 anos.
Os lutadores praticam essas técnicas de redução de peso acreditando que as suas chances de sucesso nas competições aumentarão. Essa redução rápida de peso pode prejudicar o desempenho e colocar sob risco a saúde do atleta.
Reduções da quantidade de água corporal, do glicogênio, da massa magra e uma pequena quantidade de gordura. A combinação de restrição alimentar e privação de fluidos cria um efeito fisiológico adverso e sinérgico no organismo do lutador, enfraquecendo-o para a competição. Além disso, a maior parte das formas de desidratação, como o suor exagerado e o uso de catárticos, contribui para a perda de eletrólitos mais água. Os lutadores esperam repor os fluidos corporais, eletrólitos e glicogênio durante o breve período (30min a 20h) entre a pesagem e a competição. Entretanto, o restabelecimento
da homeostase hídrica pode levar de 24 a 48 e a restauração das reservas de glicogênio muscular pode levar até 72h segundo a  Rev Bras Med Esporte _ Vol. 5, Nº 2 – Mar/Abr, 1999 e  recuperar a massa magra perdida leva ainda mais tempo.
Efeitos da redução rápida  de peso no desempenho fisiológico (restrição alimentar ou jejum, desidratação, exercício e catarse):
– Redução da força muscular;
– Redução da potência anaeróbica;
– Menor volume plasmático e sanguíneo;
– Aumento da freqüência cardíaca de repouso e submáxima;
– Menor volume sistólico resultando em uma menor capacidade de manter um determinado trabalho mecânico em uma intensidade constante, ou seja, uma menor capacidade aeróbica;
– Menor consumo de oxigênio;
– Prejuízo dos processos termorregulatórios, o que pode reduzir a capacidade aeróbica e aumentar o risco de internação durante o exercício;
– Menor fluxo sanguíneo e filtração renala;
– Depleção do glicogênio muscular e hepático,o que reduz a capacidade de endurance muscular, reduz a capacidade do organismo em manter os níveis de glicemia e acelera a utilização protéica;
– Depleção de eletrólitos resultando em uma função muscular prejudicada, redução da coordenação e possivelmente arritmias cardíacas.
Em resumo, uma redução rápida de peso parece influenciar negativamente as reservas de energia do lutador e o seu equilíbrio eletrolítico.
Embora os dados científicos não sejam conclusivos, essas práticas de redução rápida de peso podem também alterar o estado hormonal, diminuir o estado nutricional protéico, impedir o crescimento e desenvolvimento normais, afetar o estado psicológico,prejudicar o desempenho acadêmico e ter graves conseqüências como tromboembolismo pulmonar, pancreatite e redução da função imunológica. O uso de diuréticos pode resultar em efeitos mais importantes sobre o sistema cardiovascular e o equilíbrio eletrolítico do que outras formas de redução de peso.
Por essas razões, a Federação Nacional de Associações Estaduais de Escolas Secundárias apóia a opinião de que cada estado implemente regras que incluam um programa efetivo de controle de peso. Vários estados instituíram com sucesso programas que tornam necessário avaliar a composição corporal e incluem uma EDUCAÇÃO NUTRICIONAL e mais estados parecem dispostos a aderir. Cientistas, médicos, nutricionistas, técnicos, administradores desportivos, treinadores e outros profissionais de saúde devem procurar implementar essas alterações recomendadas nacionalmente. 

Ref: Colégio Americano de Medicina do Esporte por: Prof. Robert A. Oppliger (coordenador), Prof. H. Samuel Case, Prof. Craig A. Horswill, Dr. Gregory L. Landry e Prof. Ann C. Shelter.

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