A guerra dos medicamentos para emagrecer…



A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quer banir de vez a comercialização de todas as drogas usadas para emagrecer que atuam no sistema nervoso central: a sibutramina e os derivados de anfetamina (femproporex, dietilpropiona e mazindol). A única droga para o tratamento da obesidade que continuará liberada será o orlistate (Xenical), que atua diretamente no intestino, reduzindo em cerca de 30% a absorção de gordura.” (leia a reportagem do site do estadao na íntegra aqui) 

Em janeiro de 2010, escrevi um post sobre a sibutramina, na época em que a ANVISA lançou um alerta sobre a sibutramina para os profissionais de saúde. Em março, a ANVISA modificou as regras para a venda desse medicamento no Brasil, pela resolução RDC 13/2010. Ele passou de taxa vermelha para preta, e só é permitido comprar com receita azul – que é uma receita especial, numerada, apenas fornecida pela própria ANIVSA. Ou seja: não adianta pedir pro amigo médico prescrever num receituário simples, tem que ter essa receita especial (distribuída pela Agência)

Exemplar de receita azul especial 
Isso tudo pelo mesmo estudo (chamado SCOUT – SIbutramine Vascular Outcomes) que demonstrou um aumento no risco de problemas cardiovasculares não fatais e fez os países europeus proibirem a venda do medicamento. 
Agora vem a notícia que a sibutramina será banida de vez no Brasil. E aí as perguntas voltam a aparecer: “faz mal mesmo?” “mas nem com acompanhamento médico pode ser usado?” “vai adiantar alguma coisa banir de vez?”.
Primeiro temos que entender o que é sibutramina: A sibutramina age inibindo a reabsorção, recaptação e a degradação de neurotransmissores que, dentre suas funções, trabalham com sensações de bem estar. Esse mecanismo de inibir a reabsorção faz com que essas substâncias fiquem disponíveis por mais tempo estimulando os neurônios. Os derivados da anfetamina estimulam o funcionamento mental, aumentando a liberação e o tempo de atuação dos neurotransmissores que participam das sensações de bem estar. Ambos controlam a ansiedade por comida, aquela vontade desenfreada de comer, comer, comer.
Como já falei no outro post, esses medicamentos tem que ser indicados por MÉDICOS! O uso é controlado. Lógico que o resultado não é 100% e nem vem sozinho: sempre o paciente em uso da sibutramina (ou outro medicamento) faz um acompanhamento nutricional. E antes de prescrever, o médico faz uma pesquisa detalhada, para saber se aquela pessoa tem indicação ou não de uso.
Pensando nessa situação, não sou contra o uso de medicação. Mas as pessoas que tomam sem acompanhamento, e esperam um milagre com o medicamento, estão perdendo tempo, dinheiro, e prejudicando a saúde: você pode até emagrecer, mas seus processos fisiológicos sofrerão muito – e pode ser a curto prazo – o que torna o uso indiscriminado um problema.
Conheço vários ‘discípulos da sibutramina’, que já fizeram o uso dessa e de outras substâncias sem acompanhamento. E hoje sofrem com processos de emagrecimento. Não quero dizer que o resultado do medicamento com acompanhamento é 100% certo. Mas que é mais seguro do que a utilização sem prescrição.
Minha opinião: não acho certo banir de vez a venda da sibutramina – e as outras medicações. A última decisão tomada pela ANVISA, de vender apenas com a receita azul foi um grande passo – banalizar a venda gera o uso compulsório e errado do remédio. Acredito que ao invés de gastar energia banindo a venda desse medicamento, a ANVISA deveria fiscalizar a venda no contrabando – que é MUITO grande -, fiscalizar a venda através de receita azul e, principalmente, fiscalizar a venda de substâncias ‘naturais’ que acabam com a saúde das pessoas!
E o Ministério da Saúde deveria investir em campanhas antiobesidade! 
Quanto a permissão do Xenical, essa é outra questão. Eu vejo muitos profissionais da área de saúde condenando – eu principalmente. Mas essa conversa fica para outro post…
Voltando ao caso: Na minha prática clínica vejo bons resultados dos pacientes que fazem o tratamento nutricional e usam o medicamento, assim como vejo bons resultados naqueles que fazem apenas o acompanhamento nutricional. Cada caso é um caso.


Não estou incentivando o uso de qualquer tipo de medicação. Da mesma forma que não tenho capacidade intelectual de prescrever e defender com unhas e dentes – não tenho formação para 
isso, sou nutricionista – não posso condenar com tanta revolta que alguns nutricionista o fazem.


Acredito sim que o tratamento nutricional baseado em uma reeducação alimentar é muito efetivo e deve ser o caminho de todos nós, porém algumas pessoas sofrem com alguns problemas psicológicos e fisiológicos, e necessitam da ajuda de medicamentos.
Isso tudo é uma questão de opinião, de formação e informação.
Abraços a todos!!!
Marina

Obs: Em tese, todo medicamento deveria ter receita médica. Para dimensionar a questão, o assessor do CRF, Waltovânio de Vasconcelos, aponta estudo da Fundação Oswaldo Cruz, que revela que 27,3% dos casos de intoxicação humana no País são provocados pela automedicação.  


Anúncios

2 respostas em “A guerra dos medicamentos para emagrecer…

  1. Oi Marina!Logicamente cada profissional observa um tipo de comportamento dos pacientes. Alguns colegas nutricionistas também discordam de mim, enquanto outros concordam.Vamos fazer um poste sobre Binge sim! Continue lendo o blog!!!Abraços!!!

  2. Ola Marina! Acompanho o blog de voces há alguns dias e gosto bastante dos posts. Sou psicóloga do Sus em Curitiba e atendo todo tipo de paciente pela rede pública, inclusive pessoas com diversos tipos de distúrbios alimentares ou simplesmente aquelas que não chegam a ter um distúrbio mas, como eu mesma, estão tentando se alimentar melhor, emagrecer um pouco e ser mais saudáveis. Gostei desse post sobre a sibutramina. Posso parecer radical mas até hoje não tive um paciente sequer em uso de sibutramina e com acompanhamento nutricional que usasse a medicaçao exatamente de acordo com as orientações do seu médico. Isso é um perigo e muitas vezes tem levado a situações dramáticas. Sou a favor da poribição da venda da sibutramina porque vejo que mesmo nos casos em que há um profissional excelente acompanhando o paciente, esse medicamento acaba nas maos da amiga do paciente que quer emagrecer ou é usado em excesso em semanas em que o paciente se descontrola.. enfim… é um assunto polêmico, eu sei.Sugiro aqui que você ou outra das pessoas da equipe faça um post sobre binge, que são so episódios de comer compulsivos periódicos. Abraço

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s