Isotônicos e Repositores Energéticos

Hoje está sendo um dia típico de verão. Foi só a chuva dar uma aliviada, o sol ameaçar aparecer, e o dia esquentar um pouco, que aquele amigo que não me fazia companhia na corrida a duas semanas resolve ligar e marca de corrermos juntos.
Até aí, tudo certo! Exercitar faz bem. Libera endorfina, alivia o stress, melhora o sistema cardiorrespiratório, estimula a musculatura, fortalece os ossos… Mas uma coisa me deixa encabulado. Porque diabos ele sempre carrega uma garrafinha de isotônico? Ok, beleza, é para hidratar! Mas ele não poderia beber água? Afinal é apenas uma corridinha de 30 minutos á 1 hora.
Uma informação de pouco conhecimento por parte dos praticantes de atividade física, é que raramente que m pratica algum exercício físico de até duas horas de duração, de intensidade moderada, em condição ambiental agradável precisa desse tipo de produto. É isso meus caros, se vocês não vão correr uma maratona ou não nasceram com o dom de jogar bola, dar uns goles nessas bebidas não vai fazer de você um Kaká na pelada do final de semana.
Em 2008 (isso mesmo, a quase dois anos e você não sabia disso), a ANVISA resolveu realizar uma consulta pública para que empresas, usuários, comerciantes, cientistas, pesquisadores, profissionais da área de saúde, e quem mais quisesse opinar sobre a comercialização e propaganda desses produtos, pudessem discutir e definir os parâmetros para o regulamento técnico de alimentos para atletas.
Primeiro definiu-se o que é atleta:
“I – atletas: praticantes de exercício físico com especialização e desempenho máximos com o objetivo de participação em esporte com esforço muscular intensa;”.
A não ser que você possua uma planilha de treinos, com treinamentos específicos objetivando participar de competições, você dificilmente se enquadraria nessa definição.
Em seguida, o que são as bebidas isotônicas ou hidroeletrolíticas:
“II – suplemento hidroeletrolítico para atletas: produto destinado a auxiliar a hidratação;”.
Possuem em sua composição geralmente até 8% de carboidrato, e concentração de sódio entre 460 e 1150 mg/l, potassio em até 700 mg/l, não podendo ter fibras e nutrientes adicionais.
Esses produtos visam á hidratação de forma a compensar além da perda de água, a reposição de eletrólitos perdidos no suor (exatamente por isso que o suor é salgado, perda de sódio – sal), diferentes das bebidas energéticas.
III – suplemento energético para atletas: produto destinado a complementar as necessidades energéticas;”
Têm no mínimo de 75% do valor calórico total de energia na forma de carboidrato (mínimo de 15g por porção), podendo ter em sua composição lipídios e proteínas parcialmente hidrolisadas, objetivam a reposição dos estoques de glicogênio muscular e hepático.
Mas porque a então a ANVISA resolveu alterar a legislação?
Ultimamente com crescimento das taxas de sobrepeso e obesidade, criou-se uma preocupação em tornar a informação nutricional sobre os alimentos mais clara. Ora, mesmo tendo até 8% do carboidrato, os valores calóricos dessas bebidas podem chegar até 100 Kcal, (em uma unidade comercial de 500ml), além de alterar a taxa de glicose, o que poderia atrapalhar um planejamento de perda de peso, ou até causar complicações para um diabético.
Além do valor calórico, a preocupação maior é quanto ao objetivo principal desses produtos, a reposição de eletrólitos (principalmente o sódio), já que estes produtos chegam a ter até 10x mais sódio do que refrigerantes. Altas quantidades de ingestão de sódio causam sobrecarga renal, e aumento da pressão arterial.
Por fim, definiu-se que tais produtos passam a ser enquadrados como “suplemento hidroeletrolítico para atletas” ou “suplemento energético para atletas”, ao invés de praticantes de atividade física. Ou seja, se você faz caminhada na esteira, uma corrida no dia á dia, musculação, ou uma aula de step, ou simplesmente quer curar a ressaca da bebedeira do final de semana pasado, você não vai precisar de nenhum deles. Preocupe-se em hidratar antes e após a atividade física, e em seguida consuma frutas e faça uma boa refeição rica em carboidratos e com quantidades moderadas de proteína e gordura (esses alimentos por si só, já são repositores de sódio).
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